BEM-VINDOS

A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

Curta e acompanhe nossa página no Facebook

FAÇA SUA BUSCA POR ASSUNTO AQUI

Mostrando postagens com marcador Linguística. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Linguística. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de agosto de 2017

Imagina juntas - locução com TEM ou VEM

Dica rápida. Locução verbal com VIR ou TER indicando algo que acontece no presente, dando ênfase na continuidade ou no progresso da ação:

"O quadro VEM apresentANDO melhoras"

"O quadro TEM apresentADO melhoras"

"Eu VENHO estudANDO com dedicação"

"Eu TENHO estudADO com dedicação"

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Somos mais que irmãs - sinônimos e redundância

Cuidado para, ao listar palavras, não acabar usando sinônimos e gerando repetição desnecessária. Por exemplo: "seus pensamentos são antiquados e arcaicos". Note que é redundante, uma vez que nesse contexto os dois adjetivos têm valor correspondente. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Vou ir?

Apesar de causar estranhamento em muitas pessoas, a expressão VOU IR é gramaticalmente correta. Não existe aí redundância. VOU é usado no português como auxiliar em locução verbal para indicar futuro, seja mais distante, seja imediato. Quando a ação que se quer pôr no futuro é IR, acontece a junção de VOU IR.
O fato é que a aceitação ou o estranhamento dessa locução variam de lugar para lugar. 
Entretanto, caro usuário da língua, se você não quiser, em situações mais formais, ser alvo de preconceito linguístico, mesmo que infundado, é possível usar o futuro na forma simples: eu irei.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Espresso ou no coador é mais forte?

Já falei a respeito, mas não custa relembrar: ESPRESSO é a forma mais aceita por especialistas na área. Já os puristas e defensores da moral e bons costumes dos bons vocábulos tendem a preferir a grafia EXPRESSO.
Enquanto eles se decidem, vamos tomar um cafezinho?

domingo, 20 de agosto de 2017

Seja menos ou seje menas

Passando só para lembrar que, na norma padrão, o verbo SER no imperativo, na terceira pessoa (você) é SEJA.
Além disso, a expressão MENOS não varia.
Seja menos!

sábado, 12 de agosto de 2017

COESÃO - FORMAS DE RETOMADA E LIGAÇÃO



Sabemos que os recursos de retomada, os conectivos e as relações de sentido que estabelecem são assuntos essenciais para a Redação, para a prova de Linguagens no Enem e para a prova de português em concursos diversos. Este material resume esse assunto. Use e abuse!
Qualquer dúvida, joga nos comentários.

domingo, 6 de agosto de 2017

Dica cultural - Me Curar de Mim - Flaira Ferro



Fala, galera! A dica de hoje é cultural, sobre a música Me Curar de Mim, da multi-artista Flaira Ferro.

Link para a música: https://www.youtube.com/watch?v=3b0z2AV2piI

sábado, 5 de agosto de 2017

Funções do QUE e do SE



Fala, galera!

A dica da vez são as funções morfossemânticas dos vocábulos QUE e SE.

Peguem papel e caneta para não perder as explicações.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Estudo das conjunções

E aí, galera! Vamos de revisão!
As conjunções e locuções conjuntivas servem para ligar orações ou termos de mesma função nas orações, estabelecendo relações sintáticas e/ou semânticas.

No caso das conjunções coordenativas, a relação é de coordenação, independência sintática, ou seja, uma não exerce nenhuma função sintática da outra, uma não é termo da outra.
Exemplo :
Gosto de filmes de herói, MAS ainda não vi o novo filme do Homem-aranha.
A segunda oração estabelece uma quebra de expectativa em relação à primeira, sendo que nenhuma das duas precisa que a outra exerça alguma função sintática.

As orações subordinadas substantivas, ligadas pelas conjunções integrantes em geral, exercem funções sintáticas em relação à principal. Funções essas cujos núcleos são substantivos ou palavras substantivadas: sujeito, objeto direto e objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto.
Exemplo:
A verdade é QUE preciso de você. 
A primeira oração "a verdade é" está sintaticamente incompleta, já que possui sujeito e verbo de ligação, mas não tem predicativo. A segunda oração exerce justamente essa função sintática que falta na principal, ou seja, funciona como seu predicativo.

As conjunções adverbiais ligam orações que funcionam como adjunto adverbial da oração principal, estabelecendo relação de causa, consequência, finalidade, condição etc.
Exemplo:
 SE você vier, conhecerá minha família.
A primeira oração, iniciada pela conjunção SE, estabelece circunstância de condição para a oração principal acontecer.

ATENÇÃO
Muitas conjunções apresentam, dependendo do contexto, funções e sentidos diferentes dos originais. Vale também estudar mais as funções morfossemânticas do QUE e do SE, pois podem ser não só conjunções.

Então é isso! Por hoje é só, bons estudos e até a próxima.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Qual é a sua dúvida?

Você que é vestibulando, concurseiro, que estuda para OAB ou mesmo para aprimorar seus conhecimentos a respeito de nossa língua materna, queremos saber: qual é a sua dúvida?  Comente suas dificuldades, os assuntos sobre os quais gostaria de esclarecimentos, para que nós possamos ajudá-lo nas próximas postagens.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Redação do ENEM 2013 - 3 - quem corrige? como corrige?

QUEM VAI AVALIAR A REDAÇÃO? COMO AVALIA?


Muita gente ainda tem dúvidas sobre como funciona o processo de correção das redações do ENEM. Para começar:

ð No mínimo dois corretores fazem a avaliação da redação.
ð Os dois são de regiões diferentes um do outro e do aluno.
ð Um não conhece a nota atribuída pelo outro.

ð A redação do candidato é digitalizada e enviada para os dois corretores, que leem o texto e marcam o nível obtido em cada competência.  O sistema dá a soma das notas e a correção é confirmada.

Em caso de discrepância:

ð Constitui uma diferença de mais de 100 pontos na nota da redação ou mais de 80 pontos em pelo menos uma das competências.
ð Neste caso, a redação é enviada a um terceiro corretor (que não sabe que é a terceira correção do texto). Tira-se a média das duas notas que mais se aproximam.
ð Se a discrepância ainda existir, uma banca presencial, com três corretores mais experientes, faz uma nova correção, desconsiderando as anteriores, e define a nota da redação.

A sua redação será anulada nos seguintes casos:

Ø  Fuga TOTAL do tema.
Ø  Não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa.
Ø  Texto com até 7 linhas. Linhas copiadas dos textos motivadores são excluídas da contagem.
Ø  Impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.
Ø  Desrespeito aos direitos humanos.
Ø  Folha em branco, mesmo que o texto esteja na folha de rascunho.

Outros aspectos importantes:
Ø  Se a letra estiver ilegível, o corretor desconsiderará as partes que não conseguir ler, podendo inclusive a redação ser anulada.
Ø  O título é opcional na prova do ENEM e será considerado como uma linha escrita, devendo estar na primeira linha do espaço reservado para o texto.
Ø  As duas normas ortográficas estão em vigor até 31 de dezembro de 2015, quando a nova substituirá a antiga. Portanto as duas serão consideradas na correção, porém é recomendável não misturá-las.


Por hoje, é só.
Prof. Diogo Xavier
^^

tags.: dissertação - redação - enem - fuga do tema - correção

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A redação do ENEM 2013-1 - isso se estuda?

A REDAÇÃO DO ENEM

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio está próxima. Com isso, o aluno sempre se depara com uma pedra no meio do caminho, com o perdão do clichê: a redação. Sempre costumo ouvir: "redação não se estuda", "é só praticar", "tem que chegar na hora e o que sair, tá beleza". Bem, pelo contrário, a redação do Enem precisa de estudo e dedicação o ano todo; de preferência, desde o início do Ensino Médio. Como?

Em primeiro lugar, esse é o texto solicitado na prova do Enem:
Texto dissertativo-argumentativo, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política.

Nele, deve-se defender a TESE, uma opinião a respeito do tema proposto, apoiada em ARGUMENTOS consistentes estruturados de forma coerente e coesa, de modo a formar uma unidade textual. Por fim, elaborar uma PROPOSTA DE INVERVENÇÃO SOCIAL PARA O PROBLEMA APRESENTADO NO DESENVOLVIMENTO que respeite os direitos humanos.

Pois bem, o gênero solicitado, além de possuir muitas especificidades que devem ser seguidas (e, portanto, estudadas), exige que o aluno tenha um bom domínio da norma padrão da língua, dos elementos de coesão, de informações atuais e relevantes nas diversas áreas do conhecimento. Enfim. São 5 competências avaliadas.

Ao longo das próximas duas semanas, publicarei algumas dicas e orientações para quem vai se aventurar na prova dia 26 e 27.

Para começar, vamos tratar aspectos gerais do texto dissertativo-argumentativo.


O texto dissertativo-argumentativo é aquele que expõe ideias e, ao mesmo tempo, tenta convencer o interlocutor da validade delas. Apresenta uma tese (opinião central) sustentada por argumentos. É um gênero textual específico para vestibulares e concursos em geral; deve ser escrito na norma culta da língua, sem marcas de pessoalidade e seguindo uma estrutura que se convencionou como padrão. Existem muitos outros gêneros textuais que dissertam e argumentam ao mesmo tempo, mas a designação “Dissertativo-Argumentativo” se refere a esse gênero em específico.

O que é tese mesmo?
Tese: opinião central do autor a respeito do tema, que deve ser desenvolvida e defendida ao longo do texto.

E argumento?
Argumento: É a justificativa utilizada para convencer o leitor a concordar com a tese defendida. Cada argumento deve responder à pergunta “por quê?” em relação à tese defendida.


Por hoje é só!
Bons estudos.

Prof. Diogo Xavier 
8)

Visite: facebook.com/minhalinguaeeu


tags: enem - redação - dissertação - texto dissertativo-argumentativo - tese - argumentos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Há dez mil anos atrás - Pleonasmo na dissertação de vestibular

Aqui estou eu, na bilionésima tentativa de manter postagens regulares no blog. Enfim. Vamos falar hoje pleonasmo, ou redundância. Não sabe o que é isso? Antes de ler a postagem, veja isto:





Pois bem, segundo o Houaiss, pleonasmo é:

"1 Rubrica: linguística.
redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso (p.ex.: ele via tudo com seus próprios olhos)
2 Rubrica: linguística.
excesso de palavras para emitir enunciado que não chega a ser claramente expresso; circunlóquio, circunlocução
3 qualidade do que vai além da suficiência; superfluidade, excesso, inutilidade"

Então pleonasmo é a repetição de ideias desnecessariamente através de palavras de significado semelhante. Convém, ressaltar, porém, que, ainda conforme o dicionário, o emprego é legítimo em alguns casos, como um recurso de ênfase.

Em relação ao texto dissertativo-argumentativo, é importante lembrar que deve ser redigido no padrão culto da linguagem, mantendo um vocabulário formal. Há, portanto, algumas redundâncias que devem ser evitadas  nesse gênero textual. Seguem alguns exemplos:

"Há 49 anos atrás, o Brasil entrou num dos períodos mais sombrios de sua história". Tanto "há" como "atrás" já indicam tempo passado. Portanto é desnecessária a repetição. "Há 49 anos" ou "49 anos atrás" está de bom tamanho.

"É preciso encarar de frente o problema da criminalidade entre adolescentes". Como é possível ver no vídeo, "enCARAr" já contém implícita a ideia de que é "de frente".

"Não podemos adiar para depois a discussão sobre o assunto". Só é possível adiar algo para depois, portanto é desnecessário o "depois". O que se pode utilizar é, por exemplo, expressões que determinem o tempo: "adiar para a próxima semana", "adiar para depois do feriado".

"O governo não tem outra alternativa senão investir mais na educação". Alternativa tem em si a ideia de "outro modo". "outra alternativa", portanto é uma redundância. Em um caso bem específico, pode-se usar sem constituir repetição desnecessária. Quando já foram dadas as alternativas, pelo menos duas, e se quer citar mais alguma: "As alternativas mais evidentes para o governo são a educação e a profissionalização. Outra alternativa é o uso de uma maior força punitiva".

"O JOVEM, devido à influência da mídia, ELE está cada vez mais consumista". Esse é o caso do que se chama de sujeito pleonástico. Na fala mais cotidiana, é muito comum. É um recurso inconsciente de repetição do sujeito através do pronome 'ele', principalmente quando se distancia do primeiro sujeito. Na escrita, porém, não devemos usar: "O jovem, devido à influência da mídia, está cada vez mais consumista".

Erro cíclico de redundância ¬¬
Outros casos comuns: premeditar (ou planejar) previamente; amanhecer o dia; melhora positiva; doido da cabeça.

Além disso, há casos de enumerações nas quais se usam sinônimos que tornam a ideia redundante: os políticos, em sua maioria, são corruptos, criminosos, ladrões. Entre ladrão e corrupto, dá para se estabelecer alguma diferença. Porém tanto um ladrão quanto um corrupto pode ser considerado criminoso. Portanto o uso da palavra 'criminoso' caracteriza uma ideia redundante. A propósito, a ideia, ou a forma como ela está sendo passada, é radical. Um eufemismo aqui cairia bem, mas isso fica para outra postagem.

Cuidado, então, com a redundância em seu texto dissertativo, bem como em outros textos formais, para não se auto-prejudicar-se a si mesmo.

Abraços.

Prof. Diogo Xavier

sábado, 23 de março de 2013

Enem, Miojo e abobrinhas da imprensa


Okay. Um estudante de engenharia civil decidiu fazer Enem ‘por fazer’ e, segundo ele diz, para testar o sistema mais rigoroso de correção do Enem 2012, escreveu no meio do texto um parágrafo instruindo como se faz um ‘delicioso miojo’. Tirou 560.

Está iniciada a polêmica. A mídia espalhou a redação como bandeira da ineficácia da avaliação das redações do Enem. E praticamente todo mundo reproduziu o discurso.

Clique para ampliar
De fato, foi inusitada a pausa para ‘miojo’, porém, como um todo, trata-se de uma produção que possui um nível razoável, sem graves erros gramaticais. O texto desenvolveu o tema dentro dos limites do gênero dissertativo-argumentativo, mesmo que abordando de maneira previsível e próxima ao senso comum. Houve uso de informações para argumentar e uma sugestão, ainda que superficial. Se não fosse a 'pausa para miojo', a nota seria maior. Eu avalio que entre 600 e, no máximo, 700.

Quem conhece os critérios de correção do Enem, sabe que 560 não é uma nota extraordinária e nem é muito mais alta que a nota que eu daria, ignorando o ‘parágrafo culinário’, com base nos parâmetros do Enem. Não houve desrespeito aos direitos humanos, menos de 7 linhas nem fuga total do tema. Esses são praticamente os únicos fatores que anulam a redação. Para saber mais sobre as competências avaliadas na correção da redação, clique aqui. Trata-se do Manual de Redação do Enem 2012. A propósito, fuga total do tema é quando o texto inteiro está fora do tema proposto, o que não foi o caso. 

O Enem avalia a capacidade de expor ideias sobre um tema, defender um ponto de vista por meio de argumentos e propor uma solução ou forma de conscientização social. Tudo isso na variedade padrão da língua. 

Com essas queixas geradas pela mídia ávida por polêmicas e pelos desinformados, ocorrerão mudanças nos critérios de correção. O que é negativo. Meu medo quando o Enem passou a ser adotado para os vestibulares foi que ele se tornasse mais mecanizado e menos preocupado com a contextualização de conhecimentos práticos no dia a dia. É o que está acontecendo com a redação do Enem. A pressão da mídia (e de quem reproduz os discursos dela) é para que a correção passe a contabilizar erros (como nos vestibulares tradicionais), em vez de considerar o texto como um todo, como uma unidade de sentido, cujo objetivo maior é transmitir e defender opiniões, além de propor soluções viáveis para problemas abordados. Com isso, o que era um Exame Nacional do Ensino Médio, uma avaliação fundada nas concepções mais atuais de educação, passa a ser um simples vestibular unificado.

Não digo que a correção do Enem é impecável: são muitas redações, muitos corretores, pouco tempo. Enfim, falhas podem ocorrer, mas, do caso dessa redação, não houve motivos para anular, nem para uma nota muito abaixo da que o texto obteve. Portanto, a meu ver, a nota dessa redação não prova nada. O fato é que a maioria das pessoas fala muito sabendo pouco. Reclamem com propriedade, não reproduzindo discursos sem ao menos se informar.


P.S.:
1. Muitos dos que escreveram nas redes sociais demonstraram que não chegam perto da competência na escrita que o autor do texto em questão possui.
2. Ninguém chega para querer mudar a forma como engenheiros civis projetam construções (a não ser eles mesmos). Da mesma forma, ninguém se mete a dar pitacos na forma como um cirurgião procede, ou como um oncologista trata uma pessoa com câncer. Creio que ninguém se propõe a questionar a forma como químico trata a água, ou faz ligas metálicas. Eles passam anos e anos estudando, se preparando, treinando, adquirindo experiência, por isso eles trabalham com o que trabalham. Por isso confia-se no trabalho deles.

Como no Brasil a educação não é levada a sério, qualquer brasileiro se acha educador, conhecedor das teorias da educação. Qualquer um acha que sabe ensinar, que sabe como se corrige uma redação, como se procede uma avaliação.

Se qualquer pessoa buscar, numa biblioteca universitária, estudos sobre avaliação, encontrará inúmeros artigos, monografias, teses, dissertações, frutos de pesquisar, discussões, experimentos, diálogo entre especialidades (psicologia, psicopedagogia, linguística, educação, sociologia, antropologia, etc.). Se buscar sobre o ensino da produção textual encontrará inúmeras outras produções. Um profissional da área de educação precisa de apropriar de tudo isso ao longo de sua formação, e mesmo ao longo de sua atuação profissional. O ENEM e os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) são construídos com base nesses estudos e estão em constante discussão.

Por quê, então, o ilustre cidadão brasileiro insiste em se achar especialista do ensino da língua e da avaliação de redações?! A imprensa o faz porque precisa de polêmicas para gerar audiência. Cabe ao cidadão se informar antes de propagar discursos prontos, baseados na ignorância e total falta de informação.
Outro exemplo disso tudo? Eu já publiquei AQUI.

(Um tanto longo para um post scriptum, mas a revolta foi grande)

Bem, grande abraços a todos. Deixo aberto o espaço para discussão, desde que sem baixar o nível e respeitando a opinião alheia.

Professor Diogo Xavier

tags: enem 2012, redação, miojo, imprensa, receita

domingo, 27 de janeiro de 2013

Homônimo. Que danado é isso?

Homônimo. Que danado é isso? E um pouquinho de semântica.

No ensino médio, quando comecei a ler textos informativos com mais frequência e de nível vocabular um pouco mais complexo, entrei em contato várias vezes com uma palavra cujo significado eu desconhecia e nunca lembrava de consultar no dicionário.  HOMÔNIMO.

Vou abordá-la tanto na aplicação vocabular quanto na perspectiva da SEMÂNTICA, área da linguística que estuda  os significados.

Não lembro as frases em que li essa palavra, mas posso dar um exemplo simples: 
"O estudante de direito José de Alencar afirmou nunca ter lido as obras do autor homônimo."

Analisando a etimologia da palavra, temos, do grego:
homo (igual) + numos (nome) = nome igual, mesmo nome

Homônimo, portanto, se refere àquilo que tem o mesmo nome. No exemplo, "autor homônimo" indica que o referido escritor possui o mesmo nome. Qual? O do estudante de direito José de Alencar.

O livro e o filme ao qual deu origem são obras homônimas
Outros exemplos: "Tanto o filme quanto o livro homônimos 'As vantagens de ser invisível' têm o poder de prender a atenção até o fim'"; "O single 'Crazy', da banda Aerosmith alcançou várias gerações, diferente da música homônima do grupo Simple Plan, visto que não passou muito tempo nas paradas de sucesso".

Bem, agora partindo para a semântica, posso antecipar que as palavras HOMÔNIMAS são estudadas ao lado das SINÔNIMAS, ANTÔNIMAS e PARÔNIMAS. Vale a pena relembrá-las:

Sinônimas: palavras diferentes que possuem significados semelhantes ou que, em alguns contextos, podem ser trocadas sem alteração de sentido. Obs.: a linguística afirma que não existem sinônimos que possuem o MESMO significado em todos os contextos. Por isso, dizemos que são significados semelhantes.

Antônimas: são palavras diferentes cujos significados se opõem, são contrários ou incompatíveis: dia / noite; subir / descer.

Parônimas: palavras que, apesar de apresentarem semelhança em sua grafia e/ou pronúncia, possuem significados diferentes: despensa / dispensa; comprimento / cumprimento.

E por fim,
Homônimas: são palavras iguais, em um ou mais aspecto, que possuem significados diferentes. Conforme o tipo de igualdade, as palavras homônimas são subdivididas em:

Homógrafas: São iguais na foma de escrever. Exemplo: forma (ó) e forma (ô).

Homófonas: Possuem a mesma pronúncia, porém são escritas de maneira diferente, como: por que, porque, por quê e porquê; mal e mau (em algumas regiões, a diferença na pronúncia é notável, mas na maioria dos lugares, a pronúncia é a mesma)

Homônimas perfeitas: São palavras que possuem a mesma grafia e a mesma pronúncia, porém tem origem e significado diferentes. Exemplo: manga (parte de roupa, fruto, pasto, entre outros significados). Mangueira (árvore, tubo flexível, etc.).

Bem, já escrevi demais. Por ora, já chega.
Até a próxima.

Diogo Xavier

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quer café? Expresso ou espresso?

Quer café? Expresso ou espresso?


Os amantes do café frequentadores de cafeterias provavelmente já se depararam com duas formas de escrever o nome daquele café forte feito na pressão e que tem uma espuma (crema) característica, que ajuda a manter a temperatura e o aroma até o fim.
Para saber mais sobre esse tipo de café, clique AQUI.


Finalmente, escreve-se EXPRESSO ou ESPRESSO?

O tema dessa postagem não é inédito, apenas direi com minhas palavras, com um pouco mais de informações paralelas, talvez, o que muitos já disseram e dizem na internet; porém observo que essa questão não é unânime. E como é de praxe para fazer um leitor aturar um texto até o fim (principalmente quem escreve muito), não responderei de início. Primeiro, irei expor os dados que coletei.

Quanto à etimologia, as duas têm a mesma origem, do latim (expressus). Quem já buscou no nosso dicionário, com certeza não encontrou ESPRESSO. Além disso, no verbete EXPRESSO, pelo menos nos dicionários impressos que consultei e no Houaiss digital, não se faz referência alguma ao café.

No VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, escrito pela Academia Brasileira de Letras), a grafia ESPRESSO, pertencente ao italiano, não é aceita. Ela é [meio que] correspondente da nossa palavra EXPRESSO. "Meio que", pois os significados são um pouco diferentes. No Houaiss, EXPRESSO significa manifesto, categórico, explícito e rápido. No italiano, pelo que li por aí, ESPRESSO significa, entre outras coisas, na pressão, exercer pressão. E é justamente esse significado que se refere ao café. A água quente passa pelo pó bem compactado sob pressão para extrair uma das bebidas mais consumidas no mundo. O correspondente semântico no português mais adequado para ESPRESSO no sentido a que nos referimos seria ESPREMIDO, já que "espremer", entre outras acepções, significa: fazer ou sofrer pressão; comprimir(-se), apertar(-se), premer. 

Nesse caso, o mais adequado, segundo os baristas e apreciadores mais tradicionalistas, além de alguns produtores, seria fazer uso do empréstimo linguístico e escrever ESPRESSO, que indicaria o significado correto.

Por outro lado, um dos princípios da linguística contemporânea, em especial a sociolinguística, é o de que o uso determina a norma, ou seja, se é cada vez mais comum as pessoas escreverem EXPRESSO como um aportuguesamento de ESPRESSO, uma hora essa acepção será incorporada aos dicionários mais tradicionais. Assim, quando isso acontecer, encontraremos a palavra EXPRESSO com um significado a mais no dicionário.

Mas e quem preferir continuar usando a grafia italiana? Fique à vontade! Ora essa, os dicionários tanto aceitam "stress" como "estresse" (apesar de nos contextos mais formais ser mais indicada a forma aportuguesada), por que não fazer o mesmo com o delicioso café expresso? ou espresso?

Conclusão: o vocabulário oficial do português brasileiro não admite a grafia ESPRESSO e os dicionários mais tradicionais não conceituam EXPRESSO como o café de que falamos. O mais indicado pelos especialistas em café é ESPRESSO (use se não quiser fazer feio com eles). Já para os mais puritanos da língua e para a maioria das pessoas leigas no mundo do café, a grafia correta é EXPRESSO. Enquanto não se oficializa uma forma ou outra, fique à vontade para escolher como prefere usar, agora que você já tem bastante informações sobre o assunto.

Em uma coisa os cafemaníacos são unânimes: não importa a grafia, quando estamos diante de uma bela xícara de café. Com um copinho de água com gás e uns biscoitinhos, então...

Abraços e até a próxima.

Prof. Diogo Xavier :)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Frase, Oração e Período

Neste post vamos ver três conceitos simples, mas essenciais para iniciar o estudo da SINTAXE, que é o campo da linguística que trata da relação entre as palavras e orações no período. Pois bem. Antes de apresentar os conceitos, leiamos o poema a seguir, do escritor pernambucano Manuel Bandeira:
* para ir direto aos conceitos, vá às partes vermelhas sublinhadas.

EVOCAÇÃO DO RECIFE- Manuel Bandeira
Recife
Não a Veneza americana
Não a Maurisstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois -
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de
chicote-queimado e partia as vidraças
da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho
e botava o pincenê na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias
tomavam a calçada com cadeiras,
mexericos, namoros, risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai! 

À distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)

De repente nos longes da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino
porque não podia ir ver o fogo

Rua da União...
Como eram lindos os nomes
das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chama do Dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido 
Do lado de lá era o cais da rua Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe

- Capibaribe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto
árvores destroços redomoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras 

Novenas
Cavalhadas
Eu me deitei no colo da  menina e ela
começou a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
- Capibaribe
Rua da União onde todas as tardes
passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim que se chamava midubim
e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas
que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom,
Recife brasileiro como a casa de meu avô. 

 
Vamos reler o trecho: "Fogo em Santo Antônio!"
No trecho em destaque, podemos observar que não há verbo, porém constitui um enunciado de sentido completo.
Em um outro contexto, como num filme de guerra, no início de uma batalha, a palavra 'fogo', sozinha, poderia constituir um enunciado de sentido completo, podendo, nesse caso, ser substituída por 'atirar!', um verbo e também um enunciado completo.
Podemos concluir que tanto uma palavra sozinha quanto um conjunto de palavras, possuindo ou não verbo, podem estabelecer uma comunicação de sentido completo. Dentro de um contexto, é claro.
A esse enunciado que transmite uma mensagem ou estabelece uma comunicação de sentido completo e pode ser constituído de uma ou mais palavras, com ou sem verbo, damos a denominação de FRASE. Exemplos: "Silêncio!", "Fogo!", "Façam silêncio".

A frase que não possui verbo é chamada de FRASE NOMINAL, enquanto a que possui verbo ou locução verbal é chamada de FRASE VERBAL.

ORAÇÃO é o enunciado que possui um verbo ou locução verbal. Por exemplo, "Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância", "A gente brincava no meio da rua".

Vamos ler agora a letra de Nando Reis, Não Vou me Adaptar:
  

NÃO VOU ME ADAPTAR  -  Nando Reis

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar (3x)

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
É que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Me adaptar!

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Não vou!

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou!
Não vou me adaptar! Eu não vou me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...
 
Vou usar dois exemplos para ilustrar o próximo conceito.
1."Eu não encho mais a casa de alegria"
2."Eu não tenho mais a cara que eu tinha"

Numa breve análise dos dois enunciados, podemos identificar que ambas possuem verbo, sendo que a primeira possui um, e a segunda, dois.
Já vimos que a oração possui um verbo ou locução verbal. Portanto, o primeiro enunciado é constituído de uma oração, enquanto o segundo possui duas orações.

Essas FRASES VERBAIS constituídas de uma ou mais orações são chamadas de PERÍODO.
Quando possui uma oração, chamamos de PERÍODO SIMPLES, como no primeiro exemplo.
Já quando possui duas ou mais orações, recebe o nome de PERÍODO COMPOSTO (segundo exemplo).
Para resumir a relação entre esses conceitos (clique para ampliar):
 
 Dúvidas? Comente abaixo!
Sugestão de postagem?  AQUI.
Até a próxima!
  
Prof. Diogo Xavier
tags: frase, oração, período, simples, composto, sintaxe, gramática, oração