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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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domingo, 16 de julho de 2017

Uso do gerúndio da Redação



O gerúndio é uma forma nominal bastante útil, mas seu uso indiscriminado pode comprometer os períodos ou tornar a leitura cansativa, assim como na imagem desta postagem. Além disso, são muito comuns os erros em relação a essa forma verbal, principalmente quando se começa um período com o gerúndio, continuando ou trazendo a consequência do período anterior. Exemplo: "Várias queixas foram registradas. Fazendo com que os responsáveis tivessem que tomar algumas atitudes". O adequado seria manter no mesmo período, separando apenas com vírgula, ou não usar o gerúndio, como: "Várias queixas foram registradas, assim os responsáveis tiveram que tomar algumas atitudes". 
Bem, é isso, ferinhas!

Fiquem ligados, pois estão abertas as matrículas para a turma da noite da isolada de redação. Início previsto para 18 de julho, das 19 às 21h. E ainda há vagas para a turma do sábado, das 12h30 às 14h20.
Liga lá: 3090-5029

sábado, 15 de julho de 2017

Cuidado com ONDE


A dica hoje é sobre ONDE, mas não iremos entrar agora no mérito da distinção ONDExAONDE. 
Um problema muito comum é que as pessoas acabem usando ONDE para ligar orações que às vezes nem tem como ser ligadas com um pronome relativo ou mesmo uma conjunção. No exemplo da imagem da postagem, poderíamos separar em dois o período: "Com isso, muitas vezes acaba empregando como uma conjunção neutra, que se encaixa em qualquer situação. Isso prejudica a nota do candidato na redação." O ISSO já desempenha papel coesivo suficiente.
Há também o problema do uso do relativo ONDE em situações em que o termo retomado não representa lugar.
"A instituição social mais importante na vida da criança é a família, ONDE ele aprenderá noções iniciais de certo ou errado."
Nesse caso, o correto seria usar NA QUAL ou EM QUE, pois família não é um espaço físico.
"A segunda instituição social mais presente é a escola, ONDE o contato com pessoas fora do âmbito social promove a socialização". Nesse caso, em que ou na qual também caberiam, mas o onde está sendo usado adequadamente, pois a escola, além de instituição, é um lugar físico.
É isso, galera!
Vocês estão preparados para a redação? Estamos a poucos meses da prova do Enem e outros vestibulares!
Fiquem ligados, que ainda há vagas na turma de redação aos sábados, das 12h30 às 14h20. E a turma da noite, nas terças, das 19h às 21h, começa dia 18 de julho!
Liguem pro Squadrão Aula Show e garantam sua preparação! F: 3090-5029
#redação #enem #squadrão

keywords: enem, dúvida, gramática, onde, redação

terça-feira, 7 de junho de 2011

Enem 1999 - questões de língua portuguesa


Enem 1999

01 SONETO DE FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou ao seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(MORAES, Vinícius de. Antologia poética. São Paulo: Cia das Letras, 1992)

A palavra mesmo pode assumir diferentes significados, de acordo com a sua função na frase. Assinale a alternativa em que o sentido de mesmo equivale ao que se verifica no 3º. verso da 1ª. estrofe do poema  e Vinícius de Moraes.

(A) “Pai, para onde fores, / irei também trilhando as mesmas ruas...” (Augusto dos Anjos)
(B) “Agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é modesta, com a exterior, que é ruidosa.” (Machado de Assis)
(C) “Havia o mal, profundo e persistente, para o qual o remédio não surtiu efeito, mesmo em doses variáveis.” (Raimundo Faoro)
(D) “Mas, olhe cá, Mana Glória, há mesmo necessidade de fazê-lo padre?” (Machado de Assis)
(E) “Vamos de qualquer maneira, mas vamos mesmo.” (Aurélio)

Esse tipo de questão é muito comum no Enem e em muitas outras provas de concursos e vestibulares. É, basicamente, identificar qual é o significado das palavras de acordo com sua função [morfossintática], ou o contrário, identificar a função de acordo com o sentido. No caso da questão que estamos trabalhando, precisamos encontrar o vocábulo MESMO com sentido equivalente ao do verso de Vinícius. “Mesmo em face do maior encanto” tem um valor concessivo. Segundo o dicionário Houaiss, esse sentido é adquirido informalmente. Eu, por outro lado, considero essa expressão largamente usada na variedade culta, até mais que na popular, arrisco dizer. Enfim, a expressão corresponderia a “AINDA QUE”.
Tanto na alternativa A quanto na B, a palavra em destaque funciona como adjetivo, indicando igualdade ou permanência. Na letra C, o valor da expressão é concessivo, pode ser substituído por “ainda que”. Alternativa correta: C. As letras D e E, a palavra em destaque possui função adverbial, com o valor de inclusão, reforço.

39 Diante da visão de um prédio com uma placa indicando SAPATARIA PAPALIA, um jovem deparou com a dúvida: como pronunciar a palavra PAPALIA?
Levado o problema à sala de aula, a discussão girou em torno da utilidade de conhecer as regras de acentuação e, especialmente, do auxílio que elas podem dar à correta pronúncia de palavras.
Após discutirem pronúncia, regras de acentuação e escrita, três alunos apresentaram as seguintes conclusões a respeito da palavra PAPALIA:
I. Se a sílaba tônica for o segundo PA, a escrita deveria ser PAPÁLIA, pois a palavra seria paroxítona terminada em ditongo crescente.
II. Se a sílaba tônica for LI, a escrita deveria ser PAPALÍA, pois “i” e “a” estariam formando hiato.
III. Se a sílaba tônica for LI, a escrita deveria ser PAPALIA, pois não haveria razão para o uso de acento gráfico.

A conclusão está correta apenas em:
(A) I (B) II (C) III (D) I e II (E) I e III

A questão exige basicamente o conhecimento das regras de acentuação gráfica e, antes disso, da classificação das palavras conforme a posição de seu acento tônico.
Para relembrar essa classificação, confira aqui. As regras de acentuação (atualizadas) você encontra aqui.
Vamos, então, analisar cada assertiva.
I - Verdadeira, pois, como podemos constatar nas regras de acentuação, paroxítonas terminadas em ditongos recebem acentuação gráfica na sílaba tônica (2º PA). Só se deve ter o cuidado com detalhes. A afirmativa fala em ditongo crescente (vogal+ semivogal) e de fato há esse tipo de ditongo. Caso afirmasse que a palavra termina em ditongo decrescente, a afirmação estaria invalidada.
II - Observem que essa afirmativa contradiz a seguinte. Portanto, só as alternativas D e E são possíveis de serem verdadeiras. A conclusão II diz que, sendo LI a sílaba mais forte, haveria acento do I por estar formando um HIATO. FALSA. Cuidado! O “i” (ou “u”), para receber acento no hiato, deve atender aos requisitos:
1. Ser a segunda vogal do hiato e ser a vogal tônica; 2. Estar sozinho na sílaba ou junto de S; não estar seguido de NH.
O “i” em questão não está sozinho na sílaba nem é a segunda vogal do hiato. Afirmação descartada.
III - Correto. Não há razão para acentuar o LI, não se engloba em nenhuma regra. A divisão seria “PA.PA.LI.A” - paroxítona terminada em A. Oxítona terminada em A recebe acento; paroxítona não.

Alternativa E é a correta.



tags: ENEM, Língua Portuguesa, Gramática, Linguística, Semântica, exercício, questões.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Enem 1998 II

Vamos comentar mais uma questão do Enem de 1998.


A discussão sobre gramática na classe está “quente”. Será que os brasileiros sabem gramática? A professora de Português propõe para debate o seguinte texto:
PRA MIM BRINCAR
Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as cariocas que não sabem gramática.
¾ As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.
(BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel de Moraes. 4ª ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. Pág. 19)

17 Com a orientação da professora e após o debate sobre o texto de Manuel Bandeira, os alunos chegaram à
seguinte conclusão:
(A) uma das propostas mais ousadas do Modernismo foi a busca da identidade do povo brasileiro e o registro, no texto literário, da diversidade das falas brasileiras.
(B) apesar de os modernistas registrarem as falas regionais do Brasil, ainda foram preconceituosos em relação às cariocas. (nada indica isso)
(C) a tradição dos valores portugueses foi a pauta temática do movimento modernista. (pelo contrário, foi a busca da identidade nacional o "carro-chefe" do modernismo)
(D) Manuel Bandeira e os modernistas brasileiros exaltaram em seus textos o primitivismo da nação brasileira. (o primitivismo remonta a origem portuguesa, item mal visto pelo modernismo)

(E) Manuel Bandeira considera a diversidade dos falares brasileiros uma agressão à Língua Portuguesa.  (Ele, pelo contrário, critica a norma culta, considerando-a artificial e "macaqueada" da sintaxe lusíada.


No texto de Manuel Bandeira, o autor defende que o falar popular é mais "gostoso". E vejam, Bandeira morreu em 1968, e já naquela época, tinha-se a noção de que o falar popular é válido. E já naquela época, o MIM é usado como sujeito. Inclusive, hoje há falantes que, mesmo sendo considerados cultos, usam essa forma no contexto de informalidade. Se a gramática normativa fosse atualizável e atualizada, essa norma (de normal) já teria sido incorporada à gramática culta como caso facultativo. Enfim. A questão pede uma conclusão plausível sobre as afirmações de Manuel Bandeira.
Para isso, é necessário saber um pouco de literatura também. Olha a interdisciplinaridade aí. O modernisno apresenta vários exemplos de registro da diversidade cultural e linguística brasileira, reafirmando nossa identidade (uma das marcas do movimento modernista). Mário de Andrade registrou as diversas culturas e os diversos falares em Macunaíma. Da mesma forma, Bandeira, em diversos poemas, cita sua admiração pela variedade linguística popular. Oswald de Andrade ressalta a tendência (bem antiga) de, na fala, usarmos próclise no início de frase: "Me dá um cigarro". Enquanto Drummond usa o verbo TER no lugar de HAVER (outra tendência da norma popular): Tinha uma pedra no meio do caminho. Tudo isso para dizer que a letra A é a correta.

sábado, 28 de maio de 2011

ENEM 1998 e a adequação linguística

Neste post, vou comentar três questões da primeira prova do ENEM,em 1998. Um dos aspectos tratados é justamente o da variação linguística e da adequação. Aliás, questões abordando a variação linguística na perspectiva de que todas são corretas e devem se adequar à situação de comunicação aparecem nesse exame praticamente todo ano. É incrível como a mídia - a Globo, para ser mais preciso - nada comentou sobre o ENEM "deturpar a linguagem" ou "ensinar a falar errado". Enfim.
Aí vai (sublinhados - grifo meu):

Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. Para exemplificar este fato, seu professor de Língua Portuguesa convida-o a ler o texto Aí, Galera, de Luís Fernando Veríssimo. No texto, o autor brinca com situações de discurso oral que fogem à expectativa do ouvinte.
Aí, Galera
Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação” ? E, no entanto, por que não?
- Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
-Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares.
- Como é?
- Aí, galera.
- Quais são as instruções do técnico?
- Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação.
- Ahn?
- É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.
- Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
- Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas?
- Pode.
- Uma saudação para a minha progenitora.
- Como é?
- Alô, mamãe!
- Estou vendo que você é um, um...
- Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação?
- Estereoquê?
- Um chato?
- Isso.
Correio Braziliense, 13/05/1998.

03 O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público. São elas:
(A) a saudação do jogador aos fãs do clube, no início da entrevista, e a saudação final dirigida à sua mãe.
(B) a linguagem muito formal do jogador, inadequada à situação da entrevista, e um jogador que fala, com desenvoltura, de modo muito rebuscado.
(C) o uso da expressão “galera” , por parte do entrevistador, e da expressão “progenitora” , por parte do jogador.
(D) o desconhecimento, por parte do entrevistador, da palavra “estereotipação” , e a fala do jogador em “é pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça” .
(E) o fato de os jogadores de futebol serem vítimas de estereotipação e o jogador entrevistado não corresponder ao estereótipo.
A questão afirma que há duas situações que fogem à expectativa do leitor. Como no texto há várias situações inusitadas, não vamos em busca de trechos específicos, pois não encontraremos apenas dois. Isso elimina as alternativas A (duas falas, trechos, portanto), C(usos de palavras, situações muito específicas. Há muito mais quebras de expectativa) e D (mais uma vez, trechos muito específicos). Na letra E, o fato de o jogador não corresponder ao esperiótipo é, de fato inusitado, mas o fato de jogadores serem esteriotipados não é novidade. Na alternativa B, a primeira afirmação é a de que o jogador usa uma linguagem muito formal, INADEQUADA ao contexto, quebrando uma expectativa. Verdade. A segunda 'quebra' é o fato desse jogador dominar uma linguagem tão rebuscada, fugindo ao esteriótipo. Fato. Portanto, a alternativa B responde à pergunta.

 
04 O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. Considerando as diferenças entre língua oral e língua escrita, assinale a opção que representa também uma inadequação da linguagem usada ao contexto:
(A) “o carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito” - um pedestre que assistiu ao acidente comenta com o outro que vai passando.
(B) “E aí, ô meu! Como vai essa força?” - um jovem que fala para um amigo.
(C) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação” - alguém comenta em uma reunião de trabalho.
(D) “Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de Secretária Executiva desta conceituada empresa” - alguém que escreve uma carta candidatando-se a um emprego.
(E) “Porque se a gente não resolve as coisas como têm que ser, a gente corre o risco de termos, num futuro próximo, muito pouca comida nos lares brasileiros” - um professor universitário em um congresso
internacional.

Alô, rede Globo, esse é o conceito de adequação / inadequação de que fala o livro "Por uma vida melhor". Se há algum absurdo nisso, como é que passou despercebido todos esses anos??? Será que o MEC tentou encobrir? Será conspiração do governo para os alunos não aprenderem a falar? Santa paciência!!! Mais uma, entre tantas, provas do seu equívoco, caros jornalistas globais.
Buscamos, agora, uma fala inadequada ao contexto. Na alternativa A e B, temos contextos de uso da língua informais. O discurso apresentado é típico da variedade popular da língua. Ambas estão ADEQUADAS, portanto. Nas letras C e D, a situação discursiva exige um grau maior de formalidade e, portanto, uma fala mais próxima da norma culta, conforme as duas alternativas apresentam. Também estão ADEQUADAS. Resta a alternativa E. A NORMA CULTA é considerada a variedade linguística  usada por pessoas que possuem curso superior completo em contextos de formalidade. O uso de expressões como "a gente" (expressão correspondente a um pronome pessoal, típico de linguagem informal), "coisa"(expressão vaga em contextos formais), "muito pouca" (problema estilístico), e "a gente / termos" (a gente concorda na 3ª pessoa do singular e 'termos' está na 1ª do plural), em um contexto que exige formalidade, demonstram INADEQUAÇÃO.

05 A expressão “pegá eles sem calça” poderia ser substituída, sem comprometimento de sentido, em língua
culta, formal, por:
(A) pegá-los na mentira.
(B) pegá-los desprevenidos.
(C) pegá-los em flagrante.
(D) pegá-los rapidamente.
(E) pegá-los momentaneamente

Engraçado... tem um exercício parecido no primeiro capítulo do livro "malhado" pela tv Bobo, solicitando a conversão da norma popular para a norma culta. Isso é ensinar a falar errado??? Eu acho que NÃO!
Voltando à questão, quem não conhece a expressão "pegar sem calça", pode tentar deduzir pelo texto formal do jogador que antecede essa expressão: "Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada (parte do time esperar na defesa), com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe (recuperar a bola e fazer um contra-ataque) agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea (o time adversário se reorganizando no campo após ataque frustrado) do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação." Acredito que dá para deduzir que o treinador orientou o time para aproveitar o oponente DESPREVENIDO. Ou seja, letra B.

Sem mais delongas, por enquanto é só. Desde o início, a proposta do ENEM vem incorporando avanços significativos no tratamento de conteúdos curriculares e vem melhorando nesse sentido - independentemente dos problemas na aplicação da prova nos últimos anos. O problema é que muitas salas de aula ainda não despertaram para essa nova realidade.

Abraço a todos.
Prof. Diogo Xavier


domingo, 9 de janeiro de 2011

Exercícios Funções Sintáticas - parte I

As respostas com comentários estarão logo abaixo de cada pergunta, com uma cor mais clara. É só selecionar com o mouse para ver melhor.

 1) A oração sem sujeito caracteriza-se por:
a) O sujeito está indeterminado.
b) Não se atribui o fato a nenhum ser.
c) O sujeito está simplesmente oculto.
d) O fato é atribuído a um ser determinado.

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 Letra B. A oração sem sujeito é IMPESSOAL. A ação ou fato expresso pelo verbo não pode ser atribuído a nenhum ser, como por exemplo um fenômeno natural: choveu, ventou, nevou / está frio... ou quando se trata de verbos IMPESSOAIS (vale a pena ver os principais numa gramática), geralmente se referindo a TEMPO: faz três meses / há dois anos /.


2) A oração sem sujeito possui apenas:
a) Objeto direto.
b) Objeto indireto.
c) Predicado.
d) Sujeito oculto.

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 Letra C. Se SUJEITO e PREDICADO são os termos essenciais da oração e se a oração sem sujeito dispensa o primeiro, resta o PREDICADO, que contém o verbo e pode ter dentro dele complementos verbais (objetos), complementos nominais, adjuntos, predicativos, etc.



3) "Anoitecia silenciosamente." Nesta oração temos:
a) Sujeito simples
b) Oração sem sujeito.
c) Sujeito indeterminado.
d) Sujeito oculto.

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Como já vimos, verbos que indicam fenômeno natural não atribui ação a nenhum ser. Portanto temos aí uma oração sem sujeito. Letra B


4) "Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha." Qual é o sujeito e o tipo de sujeito desta oração?
a) Nunca ninguém / composto.
b) Ninguém / simples.
c) Ninguém /indeterminado.
d) Nunca / simples.


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Em primeiro lugar, convém observar que NUNCA é ADJUNTO ADVERBIAL de tempo ou negação, acrescenta uma circunstância à oração. Se "fizermos a pergunta" ao verbo: "quem acariciou uma cabeça de galinha?", teremos como resposta: NINGUÉM. Eis o sujeito. Se o sujeito é representado por UMA palavra, ele é simples. Portanto a resposta é a letra B


5) "Pagam bem lá?" Nesta oração o sujeito é:
a) Oculto
b) simples
c) indeterminado
d) oração sem sujeito

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Há duas formas de indeterminarmos um sujeito: a primeira, é não colocar nenhuma palavra para representar o sujeito, e pôr o verbo na terceita pessoa do plural (pagam, pagarão, pagaram). A outra é usar um VERBO TRANSITIVO INDIRETO (que precisa ser ligado ao complemento por uma PREPOSIÇÃO) ou DE LIGAÇÃO + a partícula SE (PRECISA-SE [DE] / PRECISOU-SE [DE]). Na questão temos o primeiro caso. Portanto letra C.


6) “Afinal, lá se está sempre contente." Nesta oração o tipo de sujeito é:
a) Oculto
b) composto
c) determinado
d) indeterminado

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 Temos aí um verbo de ligação (ESTÁ) + a partícula SE, o que indetermina o sujeito. LETRA D


7)  "Precisa-se de operários para a obra." Nesta oração o tipo de sujeito é:
a) composto
b) indeterminado
c) simples
d) oração sem sujeito

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VERBO TRANSITIVO INDIRETO (precisa) + SE = sujeito indeterminado. Letra B


Em breve mais questões de funções sintáticas.
Abraços
Diogo Xavier 

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Questões de concurso - PM/PE 2009

Hoje vamos comentar algumas questões de língua portuguesa do concurso da PM de Pernambuco, cujas provas foram aplicadas no dia 22/11/2009.

Questão 24. Anteponha aos períodos C ou E, consoante a concordância nominal esteja Certa ou Errada.

(     ) Os documentos anexo devem ser guardados no armário à direita, pois são sigilosos.
(     ) Apresento a você meu certificado de reservista, pois estou quites com o serviço militar.
(     ) Exceto os dois policiais, todos foram presos como suspeitos.
(     ) Encontrou, no lago, meio submersa a sapatilha de couro.

A sequência obtida foi a seguinte:
A) C – C – C – C.
B) C – E – E – C.
D) E – E – C – C.
C) E – C – C – E.
E) C – C – E – C.

Questão 25. Considerando a norma culta da língua portuguesa sobre a regência verbal, analise as afirmativas abaixo.

I. Haviam muitos problemas para resolver.
II. Hão de existir leis que protejam os mais fracos de fé.
III. Hão de haver leis que protejam os mais fracos.
IV. Podem haver seres viventes em outros planetas.

Houve falhas de regência verbal nas afirmativas

A) I, III e IV, apenas.
B) I e IV, apenas.
D) III e IV, apenas.
C) II, III e IV, apenas.
E) II e IV, apenas.

Questão 29. Viajando pela BR 232, são encontradas várias placas de sinalização. Analise-as quanto ao uso da crase.
 
REDUZA À VELOCIDADE
ENTRADA E SAÍDA DE CAMINHÕES A 3M
DESVIO À ESQUERDA

Está(ão) CORRETA(S)

A) 1, 2 e 3.
B) 2 e 3, apenas.
D) 3, apenas.
C) 2, apenas.
E) 1 e 3, apenas.



COMENTÁRIOS

Questão 24 - A questão pede que analisemos as sentenças quanto à concordância nominal. Vejamos:
ERRADA - Os documentos anexo devem ser guardados no armário à direita, pois são sigilosos. A palavra em questão é ANEXO. Nesse caso, ela está atribuindo uma característica, provavelmente provisória, ao substantivo DOCUMENTOS, assim concluímos que anexo é adjetivo e, como tal, deve concordar em gênero e número com a palavra caracterizada. Feitas as considerações, assim ficaria adequada a frase: Os documentos anexos devem... Se, por exemplo, a expressão fosse EM ANEXO, de fato ela seria invariável, pois se trata de uma preposição e um substantivo, exercendo a função de adjunto adverbial, mas não poderia estar caracterizando um substantivo, já que essa não é a função do adjunto adverbial. Ex. Os documentos que estão em anexo... Nesse caso em anexo está acrescentando circunstância de lugar ao verbo (estão).
ERRADA- Apresento a você meu certificado de reservista, pois estou quites com o serviço militar. A palavra quite é um adjetivo, acrescentando uma característica ao pronome pessoal EU, que está oculto e identificável pela desinência dos verbos (EU apresento, EU estou). Como já foi dito, adjetivo concorda com o substantivo que ele caracteriza (nesse caso, o pronome está exercendo a função de substantivo). Considerando a concordância, a frase seria: ... pois estou quite com... Se o sujeito fosse ELES, por exemplo, aí sim: eles estão quites com...
CORRETA - Exceto os dois policiais, todos foram presos como suspeitos. A palavra EXCETO é preposição, portanto não varia. Todas as outras palavras estão concordando com o sujeito TODOS (presos, suspeitos). Não há, dessa forma, o que alterar na frase.
CORRETA - Encontrou, no lago, meio submersa a sapatilha de couro. Nessa frase, a expressão que pode causar dúvidas é MEIO SUBMERSA. ABRE PARÊNTESES. (Já é tradição os professores de cursinhos falarem: meio, quando é advérbio é invariável; quando é adjetivo, concorda com o termo caracterizado. Acontece que MEIO quando quer dizer METADE é NUMERAL, fracionário, para ser mais específico. É claro que, ao acompanhar um nome, ele funciona como se fosse um adjetivo, mas devemos enquadrá-lo na classe gramatical dos numerais.) FECHA PARÊNTESES. Como a palavra meio não está indicando metade, e, sim, acrescentando uma circunstância de intensidade ao adjetivo submersa, ela é invariável, pois funciona como advérbio. A expressão seria numeral e, portanto, variável se a frase fosse, por exemplo: Encontrou, no lago, meia sapatilha de couro submersa. Meia está indicando metade do substantivo sapatilha.
RESPOSTA: D

Questão 25 - A questão afirma tratar de regência verbal, mas eu acredito estar mais relacionada à concordância verbal. ATENÇÃO: a questão pergunta ONDE HOUVE FALHAS, e não quais estão corretas.
I. Haviam muitos problemas para resolver. O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e, portanto, invariável. A forma adequada seria: Havia muitos problemas...
II. Hão de existir leis que protejam os mais fracos de fé. Neste caso, o verbo haver está sendo usado como auxiliar para indicar tempo futuro. É interessante observar a formação do tempo futuro no português. Do mesmo jeito que a expressão "hão de existir" indica futuro, com o tempo o auxiliar haver se incorporou ao verbo e se tornou flexão de tempo futuro. Observe: hão de existir -> de existir hão -> existirão. O verbo haver, auxiliando para indicar tempo futuro, é variável. A frase está correta.
III. Hão de haver leis que protejam os mais fracos. Esse caso é mais delicado: temos duas informações, a de que o haver indicando tempo futuro varia e a de que haver no sentido de existir não varia. A frase contém, unidos, as duas ocorrências. Qual "regra", então, predomina? A do haver impessoal. Numa locução verbal qualquer em que o haver (no sentido de existir) seja o verbo principal (há de haver, deve haver, vai haver, pode haver), a impessoalidade do verbo haver passa também para o verbo auxiliar, devendo os dois permanecer no singular: Há de haver leis que protejam os mais fracos.
IV. Podem haver seres viventes em outros planetas. Como já foi observado, o haver passar a impessoalidade para o auxiliar: Pode haver seres viventes...
RESPOSTA: A

Questão 29 - A questão pede para analisar as frases quanto ao uso da crase.
REDUZA À VELOCIDADE - Errado. O verbo reduzir é transitivo direto e, como tal, seu complemento não é regido por preposição. O único A presente na frase é o artigo que antecede o substantivo velocidade - não há, então, crase.
ENTRADA E SAÍDA DE CAMINHÕES A 3M - Correto. Diante de números cardinais não se usa artigo, portanto o único A da frase é uma preposição.
DESVIO À ESQUERDA - Correto. A expressão à esquerda funciona como locução adverbial de lugar. Por uma questão de clareza e para evitar ambiguidade, toda locução adverbial FEMININA antecedida da preposição A, é acentuada com o acento grave. A lógica da formação de crase não vale para esse caso, pois, repito, é um caso de clareza. Se eu disser por exemplo: corto a navalha, dá a entender que estou fazendo um corte na navalha, funcionando a expressão como complemento verbal. Se a minha intenção é dizer que corto alguma coisa com o uso de uma navalha, será preciso usar o acento indicativo de crase para deixar claro que a expressão é um adjunto adverbial (de instrumento, no caso). A regra não vale para adjuntos adverbiais masculinos, com os quais não há ambiguidade: a pé, a cavalo, a lápis, a fogo, etc.

RESPOSTA - B.

Até a próxima.
         Prof. Diogo Xavier

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Questão de concurso - conjugação verbal

Estou criando hoje uma nova categoria de postagens, dedicada a resolver dúvidas acerca de questões de provas - concursos públicos, vestibulares etc. Que. tiver dúvida a respeito de alguma questão, pode enviar para o meu e-mail: diogoicarol@yahoo.com.br. Tentarei responder o mais rápido possível.

A questão de hoje foi retirada da prova para professor de biologia da Secretaria de Educação de PE, do ano de 2006, realizada pelo Ipad.

Questão 07. Observe a forma verbal destacada, no trecho: “Basta que sejamos seres humanos.” O verbo também está corretamente conjugado na alternativa:

A) Basta que quisermos parecer humanos.
B) Basta que venhamos a ser como os seres humanos.
C) Basta que teremos características de seres humanos.
D) Basta que dizemos a verdade aos seres humanos.
E) Basta que fizermos tudo como os seres humanos.

Antes de partir para a resolução, convém tecer alguns comentários. Pude identificar, desde quando comecei a trabalhar na área docente, que a maior dificuldade do candidato numa prova de concurso ou vestibular é a interpretação. Não falo somente das questões de interpretação de textos, mas da prova toda, de uma forma geral. Para responder uma questão, é preciso primeiro entendê-la bem, compreender o que se pede, para poder aplicar os conhecimentos possuídos na resolução. Daí a importência de ler e compreender o que se lê, habilidade que só se adquire na prática: lendo constantemente.

A questão que responderemos aqui nos dá uma frase com um dos verbos conjugado no presente do subjuntivo (sejamos), pois a expressão "basta que" exige o tempo e o modo citado. A alternativa que pretendemos encontrar é a que possui o verbo conjugado adequadamente, ou seja, no mesmo tempo e modo da frase dada pela questão.

Uma das formas de resolver essa questão é tentar identificar o tempo e o modo de cada alternativa e eliminar as alternativas incorretas, vejamos:
A) Basta que quisermos parecer humanos. Podemos facilmente identificar o modo do verbo em questão, uma vez que "quisermos" exprime uma possibilidade, algo incerto - modo subjuntivo. O tempo, porém, está inadequado, já que "quisermos" indica uma possibilidade futura, facilmente percebido se colocarmos "quando" no lugar de "basta que". Se, porém, colocássemos a expressão "é necessário que", expressão que denota tempo presente, soaria estranho, incoerente. O correto seria "queiramos".
B) Basta que venhamos a ser como os seres humanos. Mais uma vez o modo verbal é o subjuntivo. Para identificar o tempo verbal podemos empregar o "é necessário que". Dessa vez, o verbo se encaixa perfeitamente. Sendo assim, a alterativa B está correta.
C) Basta que teremos características de seres humanos. O modo aqui não é o subjuntivo, e, sim, indicativo. "teremos está conjugado no futuro do indicativo. O presente do subjuntivo seria "tenhamos".
D) Basta que dizemos a verdade aos seres humanos. Mais uma vez, modo indicativo; tempo presente, para ser mais específico. No presente do subjuntivo, a conjugação é "digamos".
E) Basta que fizermos tudo como os seres humanos. Temos, dessa vez, o verbo conjugado no futuro do subjuntivo - "quando fizermos". O correto seria "basta que façamos.

Convém observar que o verbo na primeira pessoa do plural (nós) no presente do subjuntivo possui a mesma forma do imperativo afirmativo:
façamos, queiramos, comamos, vejamos, digamos, falemos etc.

Então a reposta para a questão é a alternativa B.


Espero ter esclarecido, ao menos um pouco, a questão.
Abraços,
Prof. Diogo Xavier