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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Redação do ENEM 2013 - 3 - quem corrige? como corrige?

QUEM VAI AVALIAR A REDAÇÃO? COMO AVALIA?


Muita gente ainda tem dúvidas sobre como funciona o processo de correção das redações do ENEM. Para começar:

ð No mínimo dois corretores fazem a avaliação da redação.
ð Os dois são de regiões diferentes um do outro e do aluno.
ð Um não conhece a nota atribuída pelo outro.

ð A redação do candidato é digitalizada e enviada para os dois corretores, que leem o texto e marcam o nível obtido em cada competência.  O sistema dá a soma das notas e a correção é confirmada.

Em caso de discrepância:

ð Constitui uma diferença de mais de 100 pontos na nota da redação ou mais de 80 pontos em pelo menos uma das competências.
ð Neste caso, a redação é enviada a um terceiro corretor (que não sabe que é a terceira correção do texto). Tira-se a média das duas notas que mais se aproximam.
ð Se a discrepância ainda existir, uma banca presencial, com três corretores mais experientes, faz uma nova correção, desconsiderando as anteriores, e define a nota da redação.

A sua redação será anulada nos seguintes casos:

Ø  Fuga TOTAL do tema.
Ø  Não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa.
Ø  Texto com até 7 linhas. Linhas copiadas dos textos motivadores são excluídas da contagem.
Ø  Impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.
Ø  Desrespeito aos direitos humanos.
Ø  Folha em branco, mesmo que o texto esteja na folha de rascunho.

Outros aspectos importantes:
Ø  Se a letra estiver ilegível, o corretor desconsiderará as partes que não conseguir ler, podendo inclusive a redação ser anulada.
Ø  O título é opcional na prova do ENEM e será considerado como uma linha escrita, devendo estar na primeira linha do espaço reservado para o texto.
Ø  As duas normas ortográficas estão em vigor até 31 de dezembro de 2015, quando a nova substituirá a antiga. Portanto as duas serão consideradas na correção, porém é recomendável não misturá-las.


Por hoje, é só.
Prof. Diogo Xavier
^^

tags.: dissertação - redação - enem - fuga do tema - correção

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A redação do Enem 2013-2 - Estrutura básica

Estrutura do Texto Dissertativo-argumentativo


Nesta segunda postagem sobre a dissertação, vamos falar um pouco sobre a estrutura do texto dissertativo-argumentativo.

A composição básica e lógica do texto dissertativo-argumentativo é:

Introdução: Apresenta a ideia que vai ser discutida, a tese a ser defendida. Cabe à introdução situar o leitor a respeito da postura ideológica de quem o redige acerca de determinado assunto, pois o tema fornecido sempre é mais ou menos amplo e dá margem a várias abordagens. Portanto a introdução vai delimitar o aspecto do tema a ser tratado ao longo do texto. É importante que todas as ideias apresentadas ao longo do texto estejam relacionadas com o que foi apresentado na introdução. Existem várias formas de fazer a introdução, que serão explicadas mais adiante.

Desenvolvimento: Desenvolve a tese, apresentando cada um dos argumentos ordenadamente, analisando detidamente as ideias e exemplificando de maneira rica e suficiente o pensamento. Nele, organizamos o pensamento em favor da tese. Cada parágrafo (e o texto) pode ser organizado de diferentes maneiras: estabelecimento das relações de causa e efeito - motivos, razões, fundamentos, alicerces, os porquês/ consequências, efeitos, repercussões, reflexos; estabelecimento de comparações e contrastes - diferenças e semelhanças entre elementos (de um lado, de outro lado, em contraste, ao contrário); enumerações e exemplificações: indicação de fatores, funções ou elementos que esclarecem ou reforçam uma afirmação.

Conclusão: Retoma ou reafirma todas as ideias apresentadas e discutidas no desenvolvimento, tomando uma posição acerca do problema, da tese. É também um momento de apresentar a proposta de intervenção social, ou de retomá-la caso já tenha sido feita.

ð Ainda com relação à estrutura do texto dissertativo, convém acrescentar os aspectos visuais:

Ø  Ficar atento à distribuição de linhas por parágrafo – introdução e conclusão devem ser menores que o desenvolvimento.
Ø  Fazer parágrafos distando mais ou menos três centímetros da margem e mantê-los alinhados.
Ø  Não pular linha entre os parágrafos.
Ø  Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) e também não deixar de atingi-las.
Ø  Evitar rasuras e borrões. Caso o aluno erre, ele deverá anular o erro com um traço no meio da palavra entre parênteses, apenas.
Ø  Apresentar letra legível, tanto de forma quanto cursiva.
Ø  Distinguir bem as maiúsculas das minúsculas.
Ø  Jamais exceder o número de linhas pautadas ou pedidas como limites máximos e mínimos.

Ø  Não desenhar, assinar ou rabiscar na folha de redação.


Por hoje é só!

Bons estudos.

Prof. Diogo Xavier
:)

tags: redação - enem - texto dissertativo-argumentativo - estrutura - introdução - desenvolvimento - conclusão

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A redação do ENEM 2013-1 - isso se estuda?

A REDAÇÃO DO ENEM

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio está próxima. Com isso, o aluno sempre se depara com uma pedra no meio do caminho, com o perdão do clichê: a redação. Sempre costumo ouvir: "redação não se estuda", "é só praticar", "tem que chegar na hora e o que sair, tá beleza". Bem, pelo contrário, a redação do Enem precisa de estudo e dedicação o ano todo; de preferência, desde o início do Ensino Médio. Como?

Em primeiro lugar, esse é o texto solicitado na prova do Enem:
Texto dissertativo-argumentativo, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política.

Nele, deve-se defender a TESE, uma opinião a respeito do tema proposto, apoiada em ARGUMENTOS consistentes estruturados de forma coerente e coesa, de modo a formar uma unidade textual. Por fim, elaborar uma PROPOSTA DE INVERVENÇÃO SOCIAL PARA O PROBLEMA APRESENTADO NO DESENVOLVIMENTO que respeite os direitos humanos.

Pois bem, o gênero solicitado, além de possuir muitas especificidades que devem ser seguidas (e, portanto, estudadas), exige que o aluno tenha um bom domínio da norma padrão da língua, dos elementos de coesão, de informações atuais e relevantes nas diversas áreas do conhecimento. Enfim. São 5 competências avaliadas.

Ao longo das próximas duas semanas, publicarei algumas dicas e orientações para quem vai se aventurar na prova dia 26 e 27.

Para começar, vamos tratar aspectos gerais do texto dissertativo-argumentativo.


O texto dissertativo-argumentativo é aquele que expõe ideias e, ao mesmo tempo, tenta convencer o interlocutor da validade delas. Apresenta uma tese (opinião central) sustentada por argumentos. É um gênero textual específico para vestibulares e concursos em geral; deve ser escrito na norma culta da língua, sem marcas de pessoalidade e seguindo uma estrutura que se convencionou como padrão. Existem muitos outros gêneros textuais que dissertam e argumentam ao mesmo tempo, mas a designação “Dissertativo-Argumentativo” se refere a esse gênero em específico.

O que é tese mesmo?
Tese: opinião central do autor a respeito do tema, que deve ser desenvolvida e defendida ao longo do texto.

E argumento?
Argumento: É a justificativa utilizada para convencer o leitor a concordar com a tese defendida. Cada argumento deve responder à pergunta “por quê?” em relação à tese defendida.


Por hoje é só!
Bons estudos.

Prof. Diogo Xavier 
8)

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tags: enem - redação - dissertação - texto dissertativo-argumentativo - tese - argumentos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Há dez mil anos atrás - Pleonasmo na dissertação de vestibular

Aqui estou eu, na bilionésima tentativa de manter postagens regulares no blog. Enfim. Vamos falar hoje pleonasmo, ou redundância. Não sabe o que é isso? Antes de ler a postagem, veja isto:





Pois bem, segundo o Houaiss, pleonasmo é:

"1 Rubrica: linguística.
redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso (p.ex.: ele via tudo com seus próprios olhos)
2 Rubrica: linguística.
excesso de palavras para emitir enunciado que não chega a ser claramente expresso; circunlóquio, circunlocução
3 qualidade do que vai além da suficiência; superfluidade, excesso, inutilidade"

Então pleonasmo é a repetição de ideias desnecessariamente através de palavras de significado semelhante. Convém, ressaltar, porém, que, ainda conforme o dicionário, o emprego é legítimo em alguns casos, como um recurso de ênfase.

Em relação ao texto dissertativo-argumentativo, é importante lembrar que deve ser redigido no padrão culto da linguagem, mantendo um vocabulário formal. Há, portanto, algumas redundâncias que devem ser evitadas  nesse gênero textual. Seguem alguns exemplos:

"Há 49 anos atrás, o Brasil entrou num dos períodos mais sombrios de sua história". Tanto "há" como "atrás" já indicam tempo passado. Portanto é desnecessária a repetição. "Há 49 anos" ou "49 anos atrás" está de bom tamanho.

"É preciso encarar de frente o problema da criminalidade entre adolescentes". Como é possível ver no vídeo, "enCARAr" já contém implícita a ideia de que é "de frente".

"Não podemos adiar para depois a discussão sobre o assunto". Só é possível adiar algo para depois, portanto é desnecessário o "depois". O que se pode utilizar é, por exemplo, expressões que determinem o tempo: "adiar para a próxima semana", "adiar para depois do feriado".

"O governo não tem outra alternativa senão investir mais na educação". Alternativa tem em si a ideia de "outro modo". "outra alternativa", portanto é uma redundância. Em um caso bem específico, pode-se usar sem constituir repetição desnecessária. Quando já foram dadas as alternativas, pelo menos duas, e se quer citar mais alguma: "As alternativas mais evidentes para o governo são a educação e a profissionalização. Outra alternativa é o uso de uma maior força punitiva".

"O JOVEM, devido à influência da mídia, ELE está cada vez mais consumista". Esse é o caso do que se chama de sujeito pleonástico. Na fala mais cotidiana, é muito comum. É um recurso inconsciente de repetição do sujeito através do pronome 'ele', principalmente quando se distancia do primeiro sujeito. Na escrita, porém, não devemos usar: "O jovem, devido à influência da mídia, está cada vez mais consumista".

Erro cíclico de redundância ¬¬
Outros casos comuns: premeditar (ou planejar) previamente; amanhecer o dia; melhora positiva; doido da cabeça.

Além disso, há casos de enumerações nas quais se usam sinônimos que tornam a ideia redundante: os políticos, em sua maioria, são corruptos, criminosos, ladrões. Entre ladrão e corrupto, dá para se estabelecer alguma diferença. Porém tanto um ladrão quanto um corrupto pode ser considerado criminoso. Portanto o uso da palavra 'criminoso' caracteriza uma ideia redundante. A propósito, a ideia, ou a forma como ela está sendo passada, é radical. Um eufemismo aqui cairia bem, mas isso fica para outra postagem.

Cuidado, então, com a redundância em seu texto dissertativo, bem como em outros textos formais, para não se auto-prejudicar-se a si mesmo.

Abraços.

Prof. Diogo Xavier

sábado, 23 de março de 2013

Enem, Miojo e abobrinhas da imprensa


Okay. Um estudante de engenharia civil decidiu fazer Enem ‘por fazer’ e, segundo ele diz, para testar o sistema mais rigoroso de correção do Enem 2012, escreveu no meio do texto um parágrafo instruindo como se faz um ‘delicioso miojo’. Tirou 560.

Está iniciada a polêmica. A mídia espalhou a redação como bandeira da ineficácia da avaliação das redações do Enem. E praticamente todo mundo reproduziu o discurso.

Clique para ampliar
De fato, foi inusitada a pausa para ‘miojo’, porém, como um todo, trata-se de uma produção que possui um nível razoável, sem graves erros gramaticais. O texto desenvolveu o tema dentro dos limites do gênero dissertativo-argumentativo, mesmo que abordando de maneira previsível e próxima ao senso comum. Houve uso de informações para argumentar e uma sugestão, ainda que superficial. Se não fosse a 'pausa para miojo', a nota seria maior. Eu avalio que entre 600 e, no máximo, 700.

Quem conhece os critérios de correção do Enem, sabe que 560 não é uma nota extraordinária e nem é muito mais alta que a nota que eu daria, ignorando o ‘parágrafo culinário’, com base nos parâmetros do Enem. Não houve desrespeito aos direitos humanos, menos de 7 linhas nem fuga total do tema. Esses são praticamente os únicos fatores que anulam a redação. Para saber mais sobre as competências avaliadas na correção da redação, clique aqui. Trata-se do Manual de Redação do Enem 2012. A propósito, fuga total do tema é quando o texto inteiro está fora do tema proposto, o que não foi o caso. 

O Enem avalia a capacidade de expor ideias sobre um tema, defender um ponto de vista por meio de argumentos e propor uma solução ou forma de conscientização social. Tudo isso na variedade padrão da língua. 

Com essas queixas geradas pela mídia ávida por polêmicas e pelos desinformados, ocorrerão mudanças nos critérios de correção. O que é negativo. Meu medo quando o Enem passou a ser adotado para os vestibulares foi que ele se tornasse mais mecanizado e menos preocupado com a contextualização de conhecimentos práticos no dia a dia. É o que está acontecendo com a redação do Enem. A pressão da mídia (e de quem reproduz os discursos dela) é para que a correção passe a contabilizar erros (como nos vestibulares tradicionais), em vez de considerar o texto como um todo, como uma unidade de sentido, cujo objetivo maior é transmitir e defender opiniões, além de propor soluções viáveis para problemas abordados. Com isso, o que era um Exame Nacional do Ensino Médio, uma avaliação fundada nas concepções mais atuais de educação, passa a ser um simples vestibular unificado.

Não digo que a correção do Enem é impecável: são muitas redações, muitos corretores, pouco tempo. Enfim, falhas podem ocorrer, mas, do caso dessa redação, não houve motivos para anular, nem para uma nota muito abaixo da que o texto obteve. Portanto, a meu ver, a nota dessa redação não prova nada. O fato é que a maioria das pessoas fala muito sabendo pouco. Reclamem com propriedade, não reproduzindo discursos sem ao menos se informar.


P.S.:
1. Muitos dos que escreveram nas redes sociais demonstraram que não chegam perto da competência na escrita que o autor do texto em questão possui.
2. Ninguém chega para querer mudar a forma como engenheiros civis projetam construções (a não ser eles mesmos). Da mesma forma, ninguém se mete a dar pitacos na forma como um cirurgião procede, ou como um oncologista trata uma pessoa com câncer. Creio que ninguém se propõe a questionar a forma como químico trata a água, ou faz ligas metálicas. Eles passam anos e anos estudando, se preparando, treinando, adquirindo experiência, por isso eles trabalham com o que trabalham. Por isso confia-se no trabalho deles.

Como no Brasil a educação não é levada a sério, qualquer brasileiro se acha educador, conhecedor das teorias da educação. Qualquer um acha que sabe ensinar, que sabe como se corrige uma redação, como se procede uma avaliação.

Se qualquer pessoa buscar, numa biblioteca universitária, estudos sobre avaliação, encontrará inúmeros artigos, monografias, teses, dissertações, frutos de pesquisar, discussões, experimentos, diálogo entre especialidades (psicologia, psicopedagogia, linguística, educação, sociologia, antropologia, etc.). Se buscar sobre o ensino da produção textual encontrará inúmeras outras produções. Um profissional da área de educação precisa de apropriar de tudo isso ao longo de sua formação, e mesmo ao longo de sua atuação profissional. O ENEM e os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) são construídos com base nesses estudos e estão em constante discussão.

Por quê, então, o ilustre cidadão brasileiro insiste em se achar especialista do ensino da língua e da avaliação de redações?! A imprensa o faz porque precisa de polêmicas para gerar audiência. Cabe ao cidadão se informar antes de propagar discursos prontos, baseados na ignorância e total falta de informação.
Outro exemplo disso tudo? Eu já publiquei AQUI.

(Um tanto longo para um post scriptum, mas a revolta foi grande)

Bem, grande abraços a todos. Deixo aberto o espaço para discussão, desde que sem baixar o nível e respeitando a opinião alheia.

Professor Diogo Xavier

tags: enem 2012, redação, miojo, imprensa, receita