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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Para eu ou para mim?

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Saber quando usar a expressão "para eu" ou "para mim" não é um bicho de sete cabeças. Antes de tudo é preciso esclarecer uma coisa: na linguagem oral, a tendência é utilizar sempre o "para mim" e isso não constitui um erro. Devemos apenas tomar o cuidado de num contexto de fala mais formal, bem como na escrita, utilizar as duas expressões conforme "determina" a norma padrão, e é o que veremos aqui.

Primeiro, convém dizer que tanto EU como MIM são expressões que se enquadram na categoria gramatical pronome. Eu - pronome pessoal do caso reto. É usado, por quem fala ou escreve, para se referir a si mesmo. Exerce função de sujeito da oração. Mim - pronome pessoal do caso oblíquo correspondente ao pronome "eu", sempre regido de preposição. Exerce, predominantemente, a função de complemento verbal na oração.

Para EU: é usado quando "eu" é o sujeito do verbo (que vem logo depois, no infinitivo).
Ex. Ele comprou uma revista para eu ler. Temos aqui duas orações. O verbo da primeira (comprou) tem como sujeito ELE. Na segunda oração, cujo verbo é LER, o sujeito é indicado pelo pronome EU. A expressão PARA EU neste caso está indicando PARA FAZER O QUÊ a primeira ação foi praticada.
Outros exemplos:
Mandei-o comprar a massa para eu preparar a pizza. (comprar massa para fazer o quê).
Fui à Bienal e comprei dois livros para eu estudar. (comprar livros para fazer o quê) (nesse caso, o sujeito das duas orações é o mesmo, por isso o pronome poderia ficar oculto e o sujeito seria identificável pela flexão do verbo [fui]). Fui à Bienal e comprei dois livros para estudar.
Precisamos marcar um dia para eu mostrar a vocês as minhas pinturas. (marcar um dia para fazer o quê).

Para MIM: deve ser usado quando o pronome "mim" estiver completando o sentido ou indicando o alvo de alguma ação.
Ex. Ele comprou uma revista para mim. Neste caso, só temos uma oração, e quem pratica a ação dela é o pronome ELE. A expressão "para mim" está apenas indicando PARA QUEM a ação foi feita. O "para mim" também pode ter o sentido de NA MINHA OPINIÃO.
Ex. Para mim, vocês deveriam esperar até amanhã o resultado. Quem está praticando a ação é o pronome de tratamento VOCÊS, e não MIM.
Outros exemplos:
Ela ainda não sabe o que vai dar para mim de presente. (dar para quem?)
Não resta outra escolha para mim. (não resta para quem?)
Não olhe para mim desta forma. (não olhar para quem?)
Para mim, fazer isso é loucura. (na minha opinião; a meu ver)
Vou à Bienal para comprar uns livros para mim. (comprar para quem?)

7 comentários:

  1. Isso vai me ajudar bastante!Valeu

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  2. Parei de ler em : "mandei ELE comprar a massa para eu preparar a pizza".

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    Respostas
    1. Com toda razão. Em todo caso, já foi corrigido.

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    2. Onde seria o erro de mandar ELE comprar a massa...?? ;D

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    3. A gramática padrão determina que os pronomes do caso reto (eu, tu, ele...) não podem funcionar como complemento, somente como sujeito. Para complemento, usa-se os pronomes oblíquos (o, a, te, me, lhe...) Seguindo essa regra, seria mandar + o = mandá-lo.
      Na variedade popular falada da língua, e muitas vezes na variedade formal falada, essa estrutura (mandei ele) é comum. Mas na escrita formal não deve ser utilizada.

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    4. Ah, esses chatos puristas metidos a intelectualoides que vivem catando-piolho na internet! O português é uma língua dificílima, tanto é que a maioria dos escritores profissionais e de sucesso e até mesmo as editoras se valem de serviços de copidesques e revisores. Vale lembrar esse poeminha abaixo, senhor sabidão e infalível Carlos Eduardo Nascimento Gomes, que por certo o senhor deve ter soltado um "parei em..." ao ler o poema do Oswald :

      PRONOMINAIS

      Dê-me um cigarro
      Diz a gramática
      Do professor e do aluno
      E do mulato sabido
      Mas o bom negro e o bom branco
      Da Nação Brasileira
      Dizem todos os dias
      Deixa disso camarada
      Me dá um cigarro ''

      Oswald de Andrade.

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