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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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domingo, 6 de agosto de 2017

Dica cultural - Me Curar de Mim - Flaira Ferro



Fala, galera! A dica de hoje é cultural, sobre a música Me Curar de Mim, da multi-artista Flaira Ferro.

Link para a música: https://www.youtube.com/watch?v=3b0z2AV2piI

domingo, 8 de julho de 2012

Análise Literária - Balada (Tchê Tchê Rere)

*Esta postagem é de cunho puramente humorístico. Não visa inferiorizar aqueles que gostam da música, do cantor ou do estilo musical. Se acha que vai se sentir ofendido, não leia. Simples assim.

Bem, como eu já havia feito algumas vezes no Facebook, farei uma análise crítica e reflexiva acerca do estilo e das concepções filosóficas de um artista contemporâneo que manifestam toda sua cultura na forma de composições líricas para serem acompanhadas por arranjos musicais. Nossa, profundo.

Enfim, as observações vão em destaque, junto com a letra. Se quiser ouvir [de sua própria conta e risco], o vídeo vai incorporado à postagem. Caso queira ler esta riquíssima obra sem os comentários impertinentes, clique AQUI.


Balada (Tchê Tchê Rere)
Gusttavo Lima


Eu já lavei o meu carro, regulei o som [é balada mesmo ou aquele costume de pseudo ricos de colocar o som em último volume no carro na frente de um posto de gasolina para não pagar ingresso numa balada de verdade? Pergunta retórica. Já sabemos a resposta]
Já tá tudo preparado, vem que o brega é bom [Paradoxo. Clique para saber o que é.]
Menina fica a vontade, entre e faça a festa [Não sei se a ausência de crase em "a vontade" está na letra original ou no site que publicou. Enfim. Aparentemente já começou a balada, mas, 'peraí'! Entra onde? No carro?]
Me liga mais tarde, vou adorar, vamos nessa [Então não começou? Como assim?]

Gata, me liga, mais tarde tem balada [Isso já foi dito. O nome da música é 'balada', mas até agora só se falou que acontecerá em momento posterior. Esta estrofe e a próxima se repetem. Não deu pra pensar em algo novo]
Quero curtir com você na madrugada [Com essa riqueza vocabular, é melhor que ele tenha outros atrativos]
Dançar, pular até o sol raiar. [Dentro do carro?]

Gata, me liga, mais tarde tem balada [Mais tarde quando? Ano que vem?]
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar. 

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê, [Temos aqui uma onomatopeia, usada para representar um som que só Deus sabe de que é. Tem alguma coisa a ver com a balada que nunca começa? Com o carro? Com o telefonema da menina ?]
Gustavo Lima e você [x2] [Rima altamente criativa: tchê > você. Não tenho palavras para adjetivar um cantor que coloca o seu próprio nome na letra da música. Como a Legião Urbana não pensou nisso antes?

"Quero colo, vou fugir de casa
Posso dormir aqui

Renato Russo e você?]

Se você me olhar vou querer te pegar [É de uma riqueza sentimental. Ma-ra-vi-lho-so! O eu-lírico afirma crer que o olhar da mulher que se pretende cortejar em direção ao seus olhos provocaria sensações e sentimentos afetivos os quais gerariam um aumento da circulação sanguínea e estímulos fisiológicos. Tudo isso provocaria um instinto físico que impulsiona o ser humano ao prazer sexual e geraria a vontade de estabelecer contato físico com a mulher em questão]
E depois namorar, curtição [Devido à catarse provocada pelo verso anterior, o poeta cometeu um pequeno deslize de paralelismo, já que os dois primeiros complementos do verbo QUERER são verbos, e o terceiro , desconexo e mal encaixado, é um substantivo, gerando a quebra de paralelismo]
Que hoje vai rolar... [Esse gosta de futuro, né? Começa ou não começa?!]

Gata, me liga, mais tarde tem balada ["masoq"!!! De novo?]
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular até o sol raiar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você[x2] [vemos aí uma repetição nas três últimas estrofes, claramente, caracterizando o refrão ou estribilho, provavelmente influência da poesia trovadoresca, como o poema chamado, pela teoria literária, de balada. Ei, agora descobri o por quê do título!!!]

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tem Gustavo Lima até de madrugada. [Como assim? Depois disso ele não mais existirá? Estará ele prevendo sua morte? Intrigante...]
[As partes seguintes dispensam análise, uma vez que já foram devidamente apreciadas logo acima. Essa repetição intencional visa reforçar a ideia do amor à primeira vista, ressaltada na segunda estrofe, além de visar enquadrar-se no estilo poético 'balada', como já foi citado] 

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você[x2]

Se você me olhar vou querer te pegar
E depois namorar, curtição
Que hoje vai rolar...

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular até o sol raiar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você[x2]


Seria esse o carro em questão?


É isso! Espero ter feito jus a toda a grandiosidade dessa produção artística musical. Em breve, teremos mais.
Boa semana e boas férias, pra quem as tem.

Professor Diogo Xavier

tags: humor, música, gustavo lima, balada, tchê tcherere tchê tchê, crítica, piada

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Frevo - É de fazer chorar


Mal chega começa a festa de Momo, e já dá pra sentir o tempo indo embora. Daqui a pouco chega a Quarta de Cinzas e a espera pelo próximo Carnaval começa novamente. O frevo a seguir traduz fielmente essa sensação:




É DE FAZER CHORAR
frevo-canção de Luiz Bandeira

É de fazer chorar
Quando o dia amanhece
E obriga o frevo acabar,
Oh! quarta-feira ingrata,
Chega tão depressa
Só pra contrariar...


Quem é de fato um
Bom pernambucano,
Espera um ano
E se mete na brincadeira,
Esquece tudo
Quando cai no frevo,
E no melhor da festa,
Chega a quarta-feira...







tags: frevo, carnaval, pernambuco, é de fazer chorar, Luiz Bandeira, recife, olinda, festa de momo, quarta feira de cinzas

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Frase, Oração e Período

Neste post vamos ver três conceitos simples, mas essenciais para iniciar o estudo da SINTAXE, que é o campo da linguística que trata da relação entre as palavras e orações no período. Pois bem. Antes de apresentar os conceitos, leiamos o poema a seguir, do escritor pernambucano Manuel Bandeira:
* para ir direto aos conceitos, vá às partes vermelhas sublinhadas.

EVOCAÇÃO DO RECIFE- Manuel Bandeira
Recife
Não a Veneza americana
Não a Maurisstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois -
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de
chicote-queimado e partia as vidraças
da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho
e botava o pincenê na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias
tomavam a calçada com cadeiras,
mexericos, namoros, risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai! 

À distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)

De repente nos longes da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino
porque não podia ir ver o fogo

Rua da União...
Como eram lindos os nomes
das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chama do Dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido 
Do lado de lá era o cais da rua Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe

- Capibaribe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto
árvores destroços redomoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras 

Novenas
Cavalhadas
Eu me deitei no colo da  menina e ela
começou a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
- Capibaribe
Rua da União onde todas as tardes
passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim que se chamava midubim
e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas
que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom,
Recife brasileiro como a casa de meu avô. 

 
Vamos reler o trecho: "Fogo em Santo Antônio!"
No trecho em destaque, podemos observar que não há verbo, porém constitui um enunciado de sentido completo.
Em um outro contexto, como num filme de guerra, no início de uma batalha, a palavra 'fogo', sozinha, poderia constituir um enunciado de sentido completo, podendo, nesse caso, ser substituída por 'atirar!', um verbo e também um enunciado completo.
Podemos concluir que tanto uma palavra sozinha quanto um conjunto de palavras, possuindo ou não verbo, podem estabelecer uma comunicação de sentido completo. Dentro de um contexto, é claro.
A esse enunciado que transmite uma mensagem ou estabelece uma comunicação de sentido completo e pode ser constituído de uma ou mais palavras, com ou sem verbo, damos a denominação de FRASE. Exemplos: "Silêncio!", "Fogo!", "Façam silêncio".

A frase que não possui verbo é chamada de FRASE NOMINAL, enquanto a que possui verbo ou locução verbal é chamada de FRASE VERBAL.

ORAÇÃO é o enunciado que possui um verbo ou locução verbal. Por exemplo, "Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância", "A gente brincava no meio da rua".

Vamos ler agora a letra de Nando Reis, Não Vou me Adaptar:
  

NÃO VOU ME ADAPTAR  -  Nando Reis

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar (3x)

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
É que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Me adaptar!

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Não vou!

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou!
Não vou me adaptar! Eu não vou me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...
 
Vou usar dois exemplos para ilustrar o próximo conceito.
1."Eu não encho mais a casa de alegria"
2."Eu não tenho mais a cara que eu tinha"

Numa breve análise dos dois enunciados, podemos identificar que ambas possuem verbo, sendo que a primeira possui um, e a segunda, dois.
Já vimos que a oração possui um verbo ou locução verbal. Portanto, o primeiro enunciado é constituído de uma oração, enquanto o segundo possui duas orações.

Essas FRASES VERBAIS constituídas de uma ou mais orações são chamadas de PERÍODO.
Quando possui uma oração, chamamos de PERÍODO SIMPLES, como no primeiro exemplo.
Já quando possui duas ou mais orações, recebe o nome de PERÍODO COMPOSTO (segundo exemplo).
Para resumir a relação entre esses conceitos (clique para ampliar):
 
 Dúvidas? Comente abaixo!
Sugestão de postagem?  AQUI.
Até a próxima!
  
Prof. Diogo Xavier
tags: frase, oração, período, simples, composto, sintaxe, gramática, oração