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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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domingo, 11 de setembro de 2011

Charges de Início de Setembro

 Charges disponíveis em: A Charge Online.
Essas falam principalmente do nosso 7 de Setembro e do 11 de Setembro dos Ianques.


















tags: 11 de setembro, 10 anos, charge, cartum, 7 de setembro, corrupção, crise americana, inflação, Brasil.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O francês de cada dia - Empréstimos Linguísticos


O francês de cada dia

Nem sempre nossos empréstimos linguísticos da França seguiram à risca o sentido adotado no original   
Por Rosa A. Bottosso Passos

Em 2005 comemorou-se o Ano do Brasil na França, agora é a vez de o Brasil retribuir a gentileza e celebrar o Ano da França no Brasil. Um dos slogans da comemoração é: Em 2009 o Brasil vai ficar mais francês! A presença do "mais" nos leva a indagar se nosso país já sofreu influências vindas de lá e onde encontramos tais vestígios. A França teve papel na formação da identidade brasileira nos campos político, econômico, social e cultural. 
Cada período de nossa história, dos remotos até o despertar do Modernismo, revela a presença da cultura francesa. Presença comprovada pelas palavras trazidas na bagagem dos episódios e que aqui ficaram misturando-se de tal forma que só falantes atentos se dão conta desses empréstimos.
Entre inúmeros episódios, podemos citar a chegada de Villegagnon ao Rio de Janeiro em 1555, a Missão Artística Francesa no início do século 19 e a influência da Revolução Francesa no processo de nossa Independência. Mais recentemente, temos a belle époque mudando nossa arquitetura e moda e, na década de 30, a vinda de intelectuais franceses para a criação da USP. Outra prova do fascínio que a França exercia sobre o Brasil é a publicação da revista Fon-Fon entre 1907 a 1958. O leitor carioca era francófilo e seu gosto foi difundido, pois, sendo capital, era o Rio que ditava a moda. Nesse mundo não televisivo e sem internet, era a Fon Fon que trazia as novidades de Paris e, com elas, os galicismos. 

Inquestionável

Muitos termos franceses vingaram no Brasil, alguns com gostinho especial de aclimatação. Se galicismos relacionados à gastronomia ocorrem não só no português, pois essa nomenclatura foi estabelecida na França, um vocábulo como soutien (sutiã) foi adotado graças à sabedoria popular, caso contrário, teríamos "porta-seios". 
Nem todo galicismo assumido no Brasil, no entanto, ganhou o sentido usado na França. Interessante notar, por exemplo, que a palavra marchand tem na língua francesa um sentido abrangente de "comerciante", mas por nós foi adotada para designar apenas o comerciante de obras de arte. Marron é "castanha". Significa dizer que, quando declaramos que algo é marrom, estamos fazendo comparação entre o objeto e a cor da castanha. Abat-jour, que no português "abajur" designa toda a luminária, na língua francesa indica uma parte dela, a cúpula. O hoje não tão usado "chofer" deriva de chauffeur, que por sua vez vem do verbo chauffer (aquecer): aquele que aquece o motor do carro. No início, o motorista era quem movia a manivela que dava a partida do carro.
As palavras que herdamos do francês são carregadas de história. É conhecida, por exemplo, a origem de grève, de que derivamos "greve". Grève significa "margem de rio". Em Paris havia a Place de Grève, uma praça às margens do rio Sena. Nela ocorriam manifestações de trabalhadores, o que deu origem ao seu sentido atual de paralisação.
As unidades lexicais que apresentamos no quadro ao lado foram recolhidas ao longo dos anos tendo como corpus discussões em sala de aula, a imprensa escrita e falada. São apresentadas em grupos, na sua forma francesa, mesmo que todos saibamos que a maioria esteja adaptada ortograficamente ao português. Espero que o leitor não saia deste artigo comentando que foi um déjà-vu...

Rosa A. Bottosso Passos é professora da Aliança Francesa e do Centro Universitário Barão de Mauá
O francês que importamos
Galicismos que ganharam versão em português


ÁREA


VOCABULÁRIO FRANCÊS


Artes e decoração


Avant-première, apothéose, ballet, crépon, crochet, composé, croquis, corbeille, 
doublé, guirlande, hors-concours, marchand, marionnette, matinée, maquette, 
mise-en-scène, passe-partout, papier mâché, reprise, tournée, tricot, troupe, 
vernissage, vernis.

Cores

Bordeaux, beige, carmin, changeant, dégradé, fumé, lilas, marron, ton sur ton.

Esportes

Guidon, grand-prix, pivot, raquette.

Gastronomia
  
À la carte, buffet, baguette, bonbonnière, canapé, croissant, croquette, champignon, 
champagne, chantilly, couvert, crêpe, chinois, escargot, filet, fouet, frappé, glacé, 
guéridon, garçon, mignon, mousse, menu, maître, omelette, pastel, purée,
petit gâteau, pâté, rôtisserie, réchaud, rosé, sauté, soufflé.

Locais, móveis e objetos
  
Atelier, abat-jour, bouquet, bibelot, boîte, bidet, canapé, carnet, chalet, 
chaise longue, divan, cache-pot, crèche, guichet, garage, pince-nez, souvenir, toilette.
  
Moda e vestuário


Bustier, boutique, cache-col, chanel, chic, escarpin, écharpe, évasé, fecho éclair,
godet, jabot, lingerie, maillot, maquillage, mousseline, nécessaire, organdi, 
peignoir, pochette, prêt-à-porter, plissé, rouge, robe , soutien, tailleur, taffetas.

Transportes


Bateau-mouche, chauffeur, charrette, châssis, coupé, métro.


Fonte: Revista “Língua”

 tags: Curiosidades, Comunicação, Linguística, Empréstimos Linguísticos, Estrangeirismo, Francês,

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Encontro debate a literatura infantil e juvenil

Acontece, nesta sexta-feira e sábado, a primeira edição do Encontro Pernambucano do Livro Infantil e Juvenil (LIJ-PE). O evento, com inscrição por R$ 15 (valor que será revertido para a Casa da Esperança) tem como interesse reforçar a importância da produção literária nos gêneros infantil e juvenil feita em Pernambuco. Para isso, o organizador do evento, o escritor e coordenador da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, Antônio Nunes, estruturou uma programação que, ao longo de dois dias, se debruça sobre as particularidades dessas modalidades de textos.

O evento começa oficialmente nesta sexta-feira, às 19h30, no auditório da Fafire (Av. Conde da Boa Vista, 921, Boa Vista), com uma homenagem à escritora e professora Nelly Carvalho e um depoimento de Nunes sobre os novos cenários da literatura infantil e juvenil. “O livro infantil nunca é muito divulgado, fica meio esquecido, embora seja importante na formação do leitor. Esse encontro é importante para despertar essa consciência”, comenta Nelly.

A programação do evento, com palestras e debates, come­ça apenas no sábado pela ma­nhã, também na Fafire. A pri­meira mesa do dia é: “Literatura Infantil e Juvenil é Coi­sa Séria“, às 19h30, com a es­critora Telma Brilhante (UBE/PE). Em seguida, a professora Liliane Jamir debate o tema “Autonomia Estética da Literatura Infantil: Descobrindo o Acervo Pernambucano”. Às 11h, o ilustrador Emerson Pon­tes participa da mesa “A Contribuição da Ilustração para a Literatura Infantil e Juvenil”.

Depois de um intervalo, o evento continua às 14h, com o tema “A Família, a Escola e a Mídia na Formação de Novos Leitores”, com os professores Reginaldo Gomes Salvino e Alexandre Furtado. Às 15h, uma mesa reúne os diversos campos de atuação do mercado literário pernambucano: “A Cadeia Produtiva do Livro Infantil e Juvenil: Escritores, Ilustradores, Editores, Divulgadores, Livreiros e Consumidores”. Às 16h30, ocorre o debate “Café Cultural: A Força das Parcerias na Literatura Infantil e Juvenil”. Em seguida, às 17h30, para fechar o evento, acontece a conversa com tema “Síntese do Encontro: Carta de Propósitos para a LIJ em Pernambuco”.

No blog do evento (o endereço é: http://lij-pe.blogspot.com, mantido por Antônio Nunes, o organizador explica: “Há um grande número de talentosos criadores de literatura infantil e juvenil em Pernambu­co, que precisam se conhecer mais e melhor, unir forças e trabalhar em coletivo. As­sim, além de convidá-los a colaborar com materiais para este espaço virtual, os convidamos a tomar parte neste projeto mais amplo que, sem dúvida, será um marco para o setor em nosso Estado”.
Informações de assessoria

domingo, 31 de julho de 2011

ETIMOLOGIA - Esculachar

ESCULACHAR

Significado: Vulg. Pop. 
v.td.
  1  Repreender ou criticar de modo desrespeitoso, com grosseria; ESCULHAMBAR; DESMORALIZAR. [ Antôn.: aprovar, elogiar, louvar.]
  2  Surrar, espancar.
Fonte: Dicionário Aulete digital.

Etimologia: Um tanto vulgar: [F.: Do italiano sculacciare] dar tapas no traseiro, nas nádegas. E esse verbo deriva de cullo, que pelo contexto dá pra deduzir o que é... Enfim, o sentido muda com o passar do tempo, mas se você é daqueles que se apegam a detalhes, cuidado ao usar certas palavras cuja origem você não conhece.
 Fonte consultada: Aulete Digital.

Sem mais, por ora.
Prof. Diogo Xavier

sábado, 30 de julho de 2011

ETIMOLOGIA - Aluno

Primeiro, vamos nos familiarizar com o termo "etimologia".

e.ti.mo.lo.gi.a
s. f. Gram. 1. Estudo da origem e formação das palavras de determinada língua. 2. Origem de uma palavra ou vocábulo; étimo.
Fonte: dicionário Michaelis.

Portanto, em postagens como essa, vamos tentar descobrir a origem de certas palavras e, se possível, tentar entender as relações de sentido que criaram outros significados para esses termos ao longo do tempo.
Vamos à primeira palavra:

ALUNO

Significado: s. m. 1. O que recebe instrução em colégio, liceu ou escola superior. 2. Aprendiz, discípulo, educando.
fonte: dicionário Michaelis.

Etimologia: (Houaiss) lat. Alumnus, i "criança de peito, lactente, menino, aluno, discípulo", der. do verbo alére "fazer aumentar, crescer, desenvolver, nutrir, alimentar, criar, sustentar, produzir, fortalecer etc."; ver alt-; f.hist. 1572 aluno, 1572 alumno.



Ou seja, aluno é aquele que está sendo nutrido, desenvolvido, fortalecido, para etapas atuais e posteriores de sua vida.
Obs.:
Há décadas que se espalha o mito de que o vocábulo 'aluno' teria o significado de "SEM LUZ", como na ideia de "tábua rasa", que precisa ser preenchida. Com a internet, ele se espalhou mais rapidamente. 


Seguindo esse raciocínio, o "a" seria negação, e "lumnus" significaria luz. De fato, "lumnus" para quem não procurar mais atentamente é bastante semelhante a LUZ, porém, em Latim, luz é LUX (FIAT LUX = FAÇA-SE A LUZ), LUCE, LUCIS, LUMEN, LUMINIS (e NÃO lumnus). Já vimos que alumnus vem do verbo alere, que significa amamentar, desenvolver.


Enfim, muitos professores e pedagogos, em palestras e até mesmo em livros, caem nessa pegadinha, lutando contra o uso desse termo e propondo a substituição por ESTUDANTE, inclusive para se contrapor às metodologias tradicionais de ensino, segundo as quais o aluno vai à escola 'vazio' de conhecimentos e ao professor caberia preencher. A palavra ALUNO, dessa forma - equivocadamente - passou a ser símbolo da educação tradicional, "ultrapassada".




Grande abraço a todos e até a próxima.


Professor Diogo Xavier




tags: etimologia, aluno, alumnus, sem luz, linguística, curiosidade


*editado em 12 de julho de 2012