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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

A ORDEM DAS PALAVRAS NA FRASE

Texto muito interessante que vi no site Recanto das Letras e que, com a autorização do autor, publico aqui. Quem quiser vê-lo na formatação original ou conferir outros textos do autor, vai, ao final da postagem, o link.
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Sintaxe de Colocação

Domingos Paschoal Cegalla, em sua Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, nos diz que "embora não seja arbitrária a colocação das palavras na frase, em português, é muitas vezes livre, podendo variar de acordo com o tipo da mensagem falada ou escrita e das circunstâncias que envolvem o ato da comunicação. No arranjo dos termos na frase intervêm poderosamente a cultura, o estilo e a sensibilidade do escritor".
Com efeito, na história da literatura, escritores há que abusaram com maestria dessa arbitrariedade. No entanto, necessário se faz que tomemos cuidado ao usá-la, porque essa arbitrariedade, no nosso idioma, não significa que qualquer colocação seja aceitável e que a posição das palavras não seja controlada por principio algum. Veja:
Certa ocasião (1995) se realizaria em uma Praça de São Paulo, um ato público, cujo principal organizador era o sociólogo Herbert de Souza, o inesquecível Betinho. Uma faixa estendida sobre a avenida ao lado da praça, convidava, para o evento, com os seguintes dizeres:
* Compareçam todos ao ato da campanha contra a fome do Betinho.
Evidentemente, os que liam a mensagem compreendiam o que o redator queria dizer, mas, certamente houve aqueles que não puderam evitar um sorriso ou um comentário sobre uma manifestação pública para saciar a fome de apenas um homem.
A ordem escolhida para as palavras na frase da faixa era inadequada devido o distanciamento do nome Betinho do termo campanha, aproximando-o de fome. Afinal de quem era a campanha? Do Betinho; então:
* Compareçam todos ao ato da campanha do Betinho contra a fome.
Portanto, existem alguns princípios básicos de colocação cujo conhecimento é indispensável para quem faz uso do idioma:
-> Harmonia da frase;
-> Clareza do significado;
-> A eufonia (a frase é uma combinação de sons);
-> O ritmo, o equilíbrio e a expressividade da frase.
Duas são as ordens que podem reger a construção da frase: a direta e a inversa.

Na ordem direta, os termos regentes precedem os termos regidos: sujeito + verbos + complementos ou adjuntos:
-> João comeu uma feijoada muito gostosa na casa de sua sogra.

Na ordem inversa alteramos a sequência normal dois termos:
-> Na casa de sua sogra, João comeu uma feijoada muito gostosa.
* A ordem inversa é mais freqüente na literatura, pois obedece, antes os impulsos do sentimento e da emoção.

Casos de Colocação

1. Em muitos casos, o mesmo período pode ser organizado de diferentes maneiras sem alteração do sentido:
-> Todos notaram a expressão de ódio em seus olhos
-> Em seus olhos, todos notaram a expressão de ódio.
-> Todos notaram, em seus olhos, a expressão de ódio.
-> A expressão de ódio, todos notaram em seus olhos.
2. Certos adjetivos, antes ou depois dos substantivos, causam maior ou menor ênfase na frase:
->É uma triste figura de trôpego andar.
->É uma figura triste de andar trôpego.
* No primeiro caso o adjetivo triste e trôpego vem antes dos substantivos, posição que imprime maior ênfase ao substantivo e a frase. No segundo caso, dá ao substantivo uma qualidade mais neutra, mais objetiva.
* Mas atenção: Há adjetivos que assumem significados diferentes conforme a posição: homem pobre (sem recursos), pobre homem (infeliz); mestre simples (sem afetação), simples mestre (mero); qualquer pessoa (indeterminada), uma pessoa qualquer (insignificante).
3. De acordo com costume de nossa língua, antepomos os possessivos aos substantivos: minha vida, nosso pai, tua lembrança. No entanto, na linguagem enfática, são intencionalmente pospostos:
-> Quanto me dói uma lembrança tua!
-> "Pai nosso, que estai no céu..."
4. Usamos, de preferência, a conjunção [porém] intercalada na oração: A verdade, porém, é que ele foi reprovado.
Entretanto, não é prática reprovável colocar-mos essa adversativa no fim da oração a que pertence, desde que a isto não se oponha a harmonia e o ritmo da frase:
-> "Não inventamos nada, porém." (Mário Barreto)
-> "As represálias não tardam, porém." (Ciro dos Anjos)
O mesmo se dá com a conjunção sinônima entretanto:
-> "A fuga repetia-se, entretanto." (Machado de Assis)
®Sérgio.
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Subsídios foram extraídos e adaptados ao texto de:
Domingos Paschoal Cegalla, Novíssima Gramática da Língua Portuguesa; Editora Nacional, 2005.
Ricardo Sérgio
Publicado no Recanto das Letras em 12/05/2009
Código do texto: T1590637


http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=1590637

Um comentário:

  1. O ser humano é deliciosamente falível.
    Falível humano é-o deliciosamente ser.
    Ser falível é deliciosamente o humano.
    Deliciosamente humano é o ser falível.
    Falível ser é o humano deliciosamente.
    É o falível ser deliciosamente humano.
    (...)

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