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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Volta às aulas - por que crase?

Como estou tentando manter o blog em ritmo constante, vou postar alguma coisa, mesmo que curta, estilo "pílula". Como tenho que preparar 6 aulas para amanhã e ainda acordar às 4:30 para ir à escola, esta será bem curta. 

Aproveitando a volta às aulas, vou explicar o porquê do acento grave ( ` ) na expressão.

Há muito tempo eu penso em fazer um post sobre crase, mas tem que ser algo bem detalhado, explicado e exemplificado, porém o tempo não tem permitido.

De qualquer forma, cabe uma explicação rápida. CRASE é o 'encontro' de dois sons vocálicos idênticos, o que quase sempre provoca uma pronúncia contraída, ou seja, fala-se apenas uma vez e não duas.
Exemplo: Gostei desse espelho > Geralmente pronuncia-se: Gostei dessespelho / dessispelho (a pronúncia varia conforme a região). Eu disse GERALMENTE, pois há quem pronuncie as duas vogais de maneira diferente: "dessiespelho". Devo ressaltar que essa contração não interfere na forma de escrever.

Enfim, isso é CRASE.

Em alguns casos específicos, quando o fonema "A" se repete, ele é escrito e pronunciado como um só:
Exemplo: Trabalho próximo àquela casa que seu primo comprou.

Na expressão em questão, temos PREPOSIÇÃO A+ A ARTIGO.

Vejamos: Volta às aulas.
Volta: substantivo feminino abstrato. Quando significa "regresso", "retorno", essa palavra necessita de uma complementação, que vai especificar a situação ou o lugar aonde se retorna. Ou seja, um complemento nominal. Esse complemento é antecedido da preposição A. Por outro lado, o substantivo "aulas" está definido, portanto é acompanhado pelo artigo definido, feminino e plural, no caso em estudo.

Então fica assim: VOLTA A (preposição) + AS (artigo) AULAS.
Nesse caso, ocorre crase, portanto os dois sons vocálicos são escritos como um  só, e um acento grave sinaliza a existência de duas vogais.
Portanto: VOLTA ÀS (A+AS) AULAS.

Ok. Essa pílula ficou um pouco grande e difícil de engolir. Falha nossa.

Bem, até a próxima.

Diogo Xavier

domingo, 27 de janeiro de 2013

Lembre-se do verbo lembrar

Lembre-se do verbo lembrar: uma questão de regência


Esta postagem será breve. Espero. O verbo LEMBRAR possui dupla regência, ou seja, existem duas formas de ele se relacionar com o seu complemento. É importante conhecer essa dupla regência na norma padrão, para usar adequadamente em contexto formais.

Curiosidade: o verbo LEMBRAR derivou, ao longo de muito tempo, do verbo memorar, do Latim. Foi mais ou menos assim: memorar > mem'rar > nembrar > lembrar.


Vamos à regência. Com o significado de trazer à memória, recordar, esse verbo pode se apresentar assim:

VTD ou Bitransitivo: 

* Rimos muito enquanto lembrávamos as aventuras do tempo de escola. (Verbo Transitivo Direto - liga-se ao complemento sem preposição: "as aventuras")

* Lembrei ao meu amigo o acordo que havíamos feito. (Bitransitivo - liga-se a um complemento com preposição: "A o meu amigo"; e a outro complemento sem preposição: "o acordo")

Nesse caso, o complemento que constitui "aquilo que é lembrado" liga-se ao verbo diretamente, sem preposição.

PRONOMINAL
Obs.: Verbo pronominal é aquele que se acompanha de um pronome oblíquo da mesma pessoa que o sujeito (eu>me / ele>se / nós>nós, etc.)

* Poucos se lembram dos mais necessitados. (O verbo é acompanhado do pronome oblíquo 'se' e o complemento liga-se ao verbo com uso de preposição: "dos [DE + os] mais necessitados").

Quando o verbo lembrar é usado como pronominal, o seu complemento deve ser antecedido pela preposição 'DE'. Portanto, nessa situação o verbo é transitivo indireto.

A princípio, o significado é o mesmo (Poucos lembram os mais necessitados / Poucos se lembram dos mais necessitados), a menos que esse verbo seja usado como BITRANSITIVO (lembrar "algo" "a alguém"), pois nesse caso o complemento que indica o "elemento lembrado" não poderá ser acompanhado de preposição.

Então o que determina a escolha? A vontade do usuário. Vai depender do estilo, da sonoridade (no caso de textos artísticos) ou do gosto, pois o significado não sofre alteração.

O caso do verbo ESQUECER é bem semelhante, com a principal diferença de que ele nunca é BITRANSITIVO. Assim:
* Eu esqueci os documentos do carro (VTD)
* Eu me esqueci dos documentos do carro (pronominal e VTI)

Então, resumindo, o verbo lembrar, com o significado que consideramos, pode-se se apresentar assim:

VTD: Não lembro o que me deixou chateado.
Pronominal e VTI: Não me lembro do que me deixou chateado.

Não foi tão curto quanto eu esperava, mas enfim, é só isso.
Até a próxima!
Não esqueça de compartilhar nas redes sociais nem de comentar.

Diogo Xavier



tags: regência verbal, lembrar, lembrar-se, dicas, vocabulário.

Homônimo. Que danado é isso?

Homônimo. Que danado é isso? E um pouquinho de semântica.

No ensino médio, quando comecei a ler textos informativos com mais frequência e de nível vocabular um pouco mais complexo, entrei em contato várias vezes com uma palavra cujo significado eu desconhecia e nunca lembrava de consultar no dicionário.  HOMÔNIMO.

Vou abordá-la tanto na aplicação vocabular quanto na perspectiva da SEMÂNTICA, área da linguística que estuda  os significados.

Não lembro as frases em que li essa palavra, mas posso dar um exemplo simples: 
"O estudante de direito José de Alencar afirmou nunca ter lido as obras do autor homônimo."

Analisando a etimologia da palavra, temos, do grego:
homo (igual) + numos (nome) = nome igual, mesmo nome

Homônimo, portanto, se refere àquilo que tem o mesmo nome. No exemplo, "autor homônimo" indica que o referido escritor possui o mesmo nome. Qual? O do estudante de direito José de Alencar.

O livro e o filme ao qual deu origem são obras homônimas
Outros exemplos: "Tanto o filme quanto o livro homônimos 'As vantagens de ser invisível' têm o poder de prender a atenção até o fim'"; "O single 'Crazy', da banda Aerosmith alcançou várias gerações, diferente da música homônima do grupo Simple Plan, visto que não passou muito tempo nas paradas de sucesso".

Bem, agora partindo para a semântica, posso antecipar que as palavras HOMÔNIMAS são estudadas ao lado das SINÔNIMAS, ANTÔNIMAS e PARÔNIMAS. Vale a pena relembrá-las:

Sinônimas: palavras diferentes que possuem significados semelhantes ou que, em alguns contextos, podem ser trocadas sem alteração de sentido. Obs.: a linguística afirma que não existem sinônimos que possuem o MESMO significado em todos os contextos. Por isso, dizemos que são significados semelhantes.

Antônimas: são palavras diferentes cujos significados se opõem, são contrários ou incompatíveis: dia / noite; subir / descer.

Parônimas: palavras que, apesar de apresentarem semelhança em sua grafia e/ou pronúncia, possuem significados diferentes: despensa / dispensa; comprimento / cumprimento.

E por fim,
Homônimas: são palavras iguais, em um ou mais aspecto, que possuem significados diferentes. Conforme o tipo de igualdade, as palavras homônimas são subdivididas em:

Homógrafas: São iguais na foma de escrever. Exemplo: forma (ó) e forma (ô).

Homófonas: Possuem a mesma pronúncia, porém são escritas de maneira diferente, como: por que, porque, por quê e porquê; mal e mau (em algumas regiões, a diferença na pronúncia é notável, mas na maioria dos lugares, a pronúncia é a mesma)

Homônimas perfeitas: São palavras que possuem a mesma grafia e a mesma pronúncia, porém tem origem e significado diferentes. Exemplo: manga (parte de roupa, fruto, pasto, entre outros significados). Mangueira (árvore, tubo flexível, etc.).

Bem, já escrevi demais. Por ora, já chega.
Até a próxima.

Diogo Xavier

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quer café? Expresso ou espresso?

Quer café? Expresso ou espresso?


Os amantes do café frequentadores de cafeterias provavelmente já se depararam com duas formas de escrever o nome daquele café forte feito na pressão e que tem uma espuma (crema) característica, que ajuda a manter a temperatura e o aroma até o fim.
Para saber mais sobre esse tipo de café, clique AQUI.


Finalmente, escreve-se EXPRESSO ou ESPRESSO?

O tema dessa postagem não é inédito, apenas direi com minhas palavras, com um pouco mais de informações paralelas, talvez, o que muitos já disseram e dizem na internet; porém observo que essa questão não é unânime. E como é de praxe para fazer um leitor aturar um texto até o fim (principalmente quem escreve muito), não responderei de início. Primeiro, irei expor os dados que coletei.

Quanto à etimologia, as duas têm a mesma origem, do latim (expressus). Quem já buscou no nosso dicionário, com certeza não encontrou ESPRESSO. Além disso, no verbete EXPRESSO, pelo menos nos dicionários impressos que consultei e no Houaiss digital, não se faz referência alguma ao café.

No VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, escrito pela Academia Brasileira de Letras), a grafia ESPRESSO, pertencente ao italiano, não é aceita. Ela é [meio que] correspondente da nossa palavra EXPRESSO. "Meio que", pois os significados são um pouco diferentes. No Houaiss, EXPRESSO significa manifesto, categórico, explícito e rápido. No italiano, pelo que li por aí, ESPRESSO significa, entre outras coisas, na pressão, exercer pressão. E é justamente esse significado que se refere ao café. A água quente passa pelo pó bem compactado sob pressão para extrair uma das bebidas mais consumidas no mundo. O correspondente semântico no português mais adequado para ESPRESSO no sentido a que nos referimos seria ESPREMIDO, já que "espremer", entre outras acepções, significa: fazer ou sofrer pressão; comprimir(-se), apertar(-se), premer. 

Nesse caso, o mais adequado, segundo os baristas e apreciadores mais tradicionalistas, além de alguns produtores, seria fazer uso do empréstimo linguístico e escrever ESPRESSO, que indicaria o significado correto.

Por outro lado, um dos princípios da linguística contemporânea, em especial a sociolinguística, é o de que o uso determina a norma, ou seja, se é cada vez mais comum as pessoas escreverem EXPRESSO como um aportuguesamento de ESPRESSO, uma hora essa acepção será incorporada aos dicionários mais tradicionais. Assim, quando isso acontecer, encontraremos a palavra EXPRESSO com um significado a mais no dicionário.

Mas e quem preferir continuar usando a grafia italiana? Fique à vontade! Ora essa, os dicionários tanto aceitam "stress" como "estresse" (apesar de nos contextos mais formais ser mais indicada a forma aportuguesada), por que não fazer o mesmo com o delicioso café expresso? ou espresso?

Conclusão: o vocabulário oficial do português brasileiro não admite a grafia ESPRESSO e os dicionários mais tradicionais não conceituam EXPRESSO como o café de que falamos. O mais indicado pelos especialistas em café é ESPRESSO (use se não quiser fazer feio com eles). Já para os mais puritanos da língua e para a maioria das pessoas leigas no mundo do café, a grafia correta é EXPRESSO. Enquanto não se oficializa uma forma ou outra, fique à vontade para escolher como prefere usar, agora que você já tem bastante informações sobre o assunto.

Em uma coisa os cafemaníacos são unânimes: não importa a grafia, quando estamos diante de uma bela xícara de café. Com um copinho de água com gás e uns biscoitinhos, então...

Abraços e até a próxima.

Prof. Diogo Xavier :)

domingo, 8 de julho de 2012

Análise Literária - Balada (Tchê Tchê Rere)

*Esta postagem é de cunho puramente humorístico. Não visa inferiorizar aqueles que gostam da música, do cantor ou do estilo musical. Se acha que vai se sentir ofendido, não leia. Simples assim.

Bem, como eu já havia feito algumas vezes no Facebook, farei uma análise crítica e reflexiva acerca do estilo e das concepções filosóficas de um artista contemporâneo que manifestam toda sua cultura na forma de composições líricas para serem acompanhadas por arranjos musicais. Nossa, profundo.

Enfim, as observações vão em destaque, junto com a letra. Se quiser ouvir [de sua própria conta e risco], o vídeo vai incorporado à postagem. Caso queira ler esta riquíssima obra sem os comentários impertinentes, clique AQUI.


Balada (Tchê Tchê Rere)
Gusttavo Lima


Eu já lavei o meu carro, regulei o som [é balada mesmo ou aquele costume de pseudo ricos de colocar o som em último volume no carro na frente de um posto de gasolina para não pagar ingresso numa balada de verdade? Pergunta retórica. Já sabemos a resposta]
Já tá tudo preparado, vem que o brega é bom [Paradoxo. Clique para saber o que é.]
Menina fica a vontade, entre e faça a festa [Não sei se a ausência de crase em "a vontade" está na letra original ou no site que publicou. Enfim. Aparentemente já começou a balada, mas, 'peraí'! Entra onde? No carro?]
Me liga mais tarde, vou adorar, vamos nessa [Então não começou? Como assim?]

Gata, me liga, mais tarde tem balada [Isso já foi dito. O nome da música é 'balada', mas até agora só se falou que acontecerá em momento posterior. Esta estrofe e a próxima se repetem. Não deu pra pensar em algo novo]
Quero curtir com você na madrugada [Com essa riqueza vocabular, é melhor que ele tenha outros atrativos]
Dançar, pular até o sol raiar. [Dentro do carro?]

Gata, me liga, mais tarde tem balada [Mais tarde quando? Ano que vem?]
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar. 

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê, [Temos aqui uma onomatopeia, usada para representar um som que só Deus sabe de que é. Tem alguma coisa a ver com a balada que nunca começa? Com o carro? Com o telefonema da menina ?]
Gustavo Lima e você [x2] [Rima altamente criativa: tchê > você. Não tenho palavras para adjetivar um cantor que coloca o seu próprio nome na letra da música. Como a Legião Urbana não pensou nisso antes?

"Quero colo, vou fugir de casa
Posso dormir aqui

Renato Russo e você?]

Se você me olhar vou querer te pegar [É de uma riqueza sentimental. Ma-ra-vi-lho-so! O eu-lírico afirma crer que o olhar da mulher que se pretende cortejar em direção ao seus olhos provocaria sensações e sentimentos afetivos os quais gerariam um aumento da circulação sanguínea e estímulos fisiológicos. Tudo isso provocaria um instinto físico que impulsiona o ser humano ao prazer sexual e geraria a vontade de estabelecer contato físico com a mulher em questão]
E depois namorar, curtição [Devido à catarse provocada pelo verso anterior, o poeta cometeu um pequeno deslize de paralelismo, já que os dois primeiros complementos do verbo QUERER são verbos, e o terceiro , desconexo e mal encaixado, é um substantivo, gerando a quebra de paralelismo]
Que hoje vai rolar... [Esse gosta de futuro, né? Começa ou não começa?!]

Gata, me liga, mais tarde tem balada ["masoq"!!! De novo?]
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular até o sol raiar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você[x2] [vemos aí uma repetição nas três últimas estrofes, claramente, caracterizando o refrão ou estribilho, provavelmente influência da poesia trovadoresca, como o poema chamado, pela teoria literária, de balada. Ei, agora descobri o por quê do título!!!]

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tem Gustavo Lima até de madrugada. [Como assim? Depois disso ele não mais existirá? Estará ele prevendo sua morte? Intrigante...]
[As partes seguintes dispensam análise, uma vez que já foram devidamente apreciadas logo acima. Essa repetição intencional visa reforçar a ideia do amor à primeira vista, ressaltada na segunda estrofe, além de visar enquadrar-se no estilo poético 'balada', como já foi citado] 

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você[x2]

Se você me olhar vou querer te pegar
E depois namorar, curtição
Que hoje vai rolar...

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular até o sol raiar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você[x2]


Seria esse o carro em questão?


É isso! Espero ter feito jus a toda a grandiosidade dessa produção artística musical. Em breve, teremos mais.
Boa semana e boas férias, pra quem as tem.

Professor Diogo Xavier

tags: humor, música, gustavo lima, balada, tchê tcherere tchê tchê, crítica, piada