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A língua é uma das minhas maiores paixões - seja no campo da linguística seja relativa ao paladar. Este blog está centrado na primeira opção, mas de tudo um pouco pode ser encontrado aqui: leituras deleite, dicas, tira-dúvidas, análises linguísticas e tópicos de gramática normativa, curiosidades, humor e muito mais. Está esperando o quê?! Professor Diogo Xavier

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A redação do ENEM 2013-4 - Quais são as competências?

A redação do ENEM: Quais são as competências?

 Os corretores atribuem uma nota (0 a 200) para cada uma das competências a seguir, totalizando uma pontuação de até 1000 pontos:

ü  Competência 1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.
ü  Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
ü  Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
ü  Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

ü  Competência 5: Elaborar a proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Até a próxima!

Prof. Diogo Xavier
\o/

tags.: competências - enem - redação - dissertação

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Redação do ENEM 2013 - 3 - quem corrige? como corrige?

QUEM VAI AVALIAR A REDAÇÃO? COMO AVALIA?


Muita gente ainda tem dúvidas sobre como funciona o processo de correção das redações do ENEM. Para começar:

ð No mínimo dois corretores fazem a avaliação da redação.
ð Os dois são de regiões diferentes um do outro e do aluno.
ð Um não conhece a nota atribuída pelo outro.

ð A redação do candidato é digitalizada e enviada para os dois corretores, que leem o texto e marcam o nível obtido em cada competência.  O sistema dá a soma das notas e a correção é confirmada.

Em caso de discrepância:

ð Constitui uma diferença de mais de 100 pontos na nota da redação ou mais de 80 pontos em pelo menos uma das competências.
ð Neste caso, a redação é enviada a um terceiro corretor (que não sabe que é a terceira correção do texto). Tira-se a média das duas notas que mais se aproximam.
ð Se a discrepância ainda existir, uma banca presencial, com três corretores mais experientes, faz uma nova correção, desconsiderando as anteriores, e define a nota da redação.

A sua redação será anulada nos seguintes casos:

Ø  Fuga TOTAL do tema.
Ø  Não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa.
Ø  Texto com até 7 linhas. Linhas copiadas dos textos motivadores são excluídas da contagem.
Ø  Impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.
Ø  Desrespeito aos direitos humanos.
Ø  Folha em branco, mesmo que o texto esteja na folha de rascunho.

Outros aspectos importantes:
Ø  Se a letra estiver ilegível, o corretor desconsiderará as partes que não conseguir ler, podendo inclusive a redação ser anulada.
Ø  O título é opcional na prova do ENEM e será considerado como uma linha escrita, devendo estar na primeira linha do espaço reservado para o texto.
Ø  As duas normas ortográficas estão em vigor até 31 de dezembro de 2015, quando a nova substituirá a antiga. Portanto as duas serão consideradas na correção, porém é recomendável não misturá-las.


Por hoje, é só.
Prof. Diogo Xavier
^^

tags.: dissertação - redação - enem - fuga do tema - correção

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A redação do Enem 2013-2 - Estrutura básica

Estrutura do Texto Dissertativo-argumentativo


Nesta segunda postagem sobre a dissertação, vamos falar um pouco sobre a estrutura do texto dissertativo-argumentativo.

A composição básica e lógica do texto dissertativo-argumentativo é:

Introdução: Apresenta a ideia que vai ser discutida, a tese a ser defendida. Cabe à introdução situar o leitor a respeito da postura ideológica de quem o redige acerca de determinado assunto, pois o tema fornecido sempre é mais ou menos amplo e dá margem a várias abordagens. Portanto a introdução vai delimitar o aspecto do tema a ser tratado ao longo do texto. É importante que todas as ideias apresentadas ao longo do texto estejam relacionadas com o que foi apresentado na introdução. Existem várias formas de fazer a introdução, que serão explicadas mais adiante.

Desenvolvimento: Desenvolve a tese, apresentando cada um dos argumentos ordenadamente, analisando detidamente as ideias e exemplificando de maneira rica e suficiente o pensamento. Nele, organizamos o pensamento em favor da tese. Cada parágrafo (e o texto) pode ser organizado de diferentes maneiras: estabelecimento das relações de causa e efeito - motivos, razões, fundamentos, alicerces, os porquês/ consequências, efeitos, repercussões, reflexos; estabelecimento de comparações e contrastes - diferenças e semelhanças entre elementos (de um lado, de outro lado, em contraste, ao contrário); enumerações e exemplificações: indicação de fatores, funções ou elementos que esclarecem ou reforçam uma afirmação.

Conclusão: Retoma ou reafirma todas as ideias apresentadas e discutidas no desenvolvimento, tomando uma posição acerca do problema, da tese. É também um momento de apresentar a proposta de intervenção social, ou de retomá-la caso já tenha sido feita.

ð Ainda com relação à estrutura do texto dissertativo, convém acrescentar os aspectos visuais:

Ø  Ficar atento à distribuição de linhas por parágrafo – introdução e conclusão devem ser menores que o desenvolvimento.
Ø  Fazer parágrafos distando mais ou menos três centímetros da margem e mantê-los alinhados.
Ø  Não pular linha entre os parágrafos.
Ø  Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) e também não deixar de atingi-las.
Ø  Evitar rasuras e borrões. Caso o aluno erre, ele deverá anular o erro com um traço no meio da palavra entre parênteses, apenas.
Ø  Apresentar letra legível, tanto de forma quanto cursiva.
Ø  Distinguir bem as maiúsculas das minúsculas.
Ø  Jamais exceder o número de linhas pautadas ou pedidas como limites máximos e mínimos.

Ø  Não desenhar, assinar ou rabiscar na folha de redação.


Por hoje é só!

Bons estudos.

Prof. Diogo Xavier
:)

tags: redação - enem - texto dissertativo-argumentativo - estrutura - introdução - desenvolvimento - conclusão

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A redação do ENEM 2013-1 - isso se estuda?

A REDAÇÃO DO ENEM

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio está próxima. Com isso, o aluno sempre se depara com uma pedra no meio do caminho, com o perdão do clichê: a redação. Sempre costumo ouvir: "redação não se estuda", "é só praticar", "tem que chegar na hora e o que sair, tá beleza". Bem, pelo contrário, a redação do Enem precisa de estudo e dedicação o ano todo; de preferência, desde o início do Ensino Médio. Como?

Em primeiro lugar, esse é o texto solicitado na prova do Enem:
Texto dissertativo-argumentativo, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política.

Nele, deve-se defender a TESE, uma opinião a respeito do tema proposto, apoiada em ARGUMENTOS consistentes estruturados de forma coerente e coesa, de modo a formar uma unidade textual. Por fim, elaborar uma PROPOSTA DE INVERVENÇÃO SOCIAL PARA O PROBLEMA APRESENTADO NO DESENVOLVIMENTO que respeite os direitos humanos.

Pois bem, o gênero solicitado, além de possuir muitas especificidades que devem ser seguidas (e, portanto, estudadas), exige que o aluno tenha um bom domínio da norma padrão da língua, dos elementos de coesão, de informações atuais e relevantes nas diversas áreas do conhecimento. Enfim. São 5 competências avaliadas.

Ao longo das próximas duas semanas, publicarei algumas dicas e orientações para quem vai se aventurar na prova dia 26 e 27.

Para começar, vamos tratar aspectos gerais do texto dissertativo-argumentativo.


O texto dissertativo-argumentativo é aquele que expõe ideias e, ao mesmo tempo, tenta convencer o interlocutor da validade delas. Apresenta uma tese (opinião central) sustentada por argumentos. É um gênero textual específico para vestibulares e concursos em geral; deve ser escrito na norma culta da língua, sem marcas de pessoalidade e seguindo uma estrutura que se convencionou como padrão. Existem muitos outros gêneros textuais que dissertam e argumentam ao mesmo tempo, mas a designação “Dissertativo-Argumentativo” se refere a esse gênero em específico.

O que é tese mesmo?
Tese: opinião central do autor a respeito do tema, que deve ser desenvolvida e defendida ao longo do texto.

E argumento?
Argumento: É a justificativa utilizada para convencer o leitor a concordar com a tese defendida. Cada argumento deve responder à pergunta “por quê?” em relação à tese defendida.


Por hoje é só!
Bons estudos.

Prof. Diogo Xavier 
8)

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tags: enem - redação - dissertação - texto dissertativo-argumentativo - tese - argumentos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Há dez mil anos atrás - Pleonasmo na dissertação de vestibular

Aqui estou eu, na bilionésima tentativa de manter postagens regulares no blog. Enfim. Vamos falar hoje pleonasmo, ou redundância. Não sabe o que é isso? Antes de ler a postagem, veja isto:





Pois bem, segundo o Houaiss, pleonasmo é:

"1 Rubrica: linguística.
redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso (p.ex.: ele via tudo com seus próprios olhos)
2 Rubrica: linguística.
excesso de palavras para emitir enunciado que não chega a ser claramente expresso; circunlóquio, circunlocução
3 qualidade do que vai além da suficiência; superfluidade, excesso, inutilidade"

Então pleonasmo é a repetição de ideias desnecessariamente através de palavras de significado semelhante. Convém, ressaltar, porém, que, ainda conforme o dicionário, o emprego é legítimo em alguns casos, como um recurso de ênfase.

Em relação ao texto dissertativo-argumentativo, é importante lembrar que deve ser redigido no padrão culto da linguagem, mantendo um vocabulário formal. Há, portanto, algumas redundâncias que devem ser evitadas  nesse gênero textual. Seguem alguns exemplos:

"Há 49 anos atrás, o Brasil entrou num dos períodos mais sombrios de sua história". Tanto "há" como "atrás" já indicam tempo passado. Portanto é desnecessária a repetição. "Há 49 anos" ou "49 anos atrás" está de bom tamanho.

"É preciso encarar de frente o problema da criminalidade entre adolescentes". Como é possível ver no vídeo, "enCARAr" já contém implícita a ideia de que é "de frente".

"Não podemos adiar para depois a discussão sobre o assunto". Só é possível adiar algo para depois, portanto é desnecessário o "depois". O que se pode utilizar é, por exemplo, expressões que determinem o tempo: "adiar para a próxima semana", "adiar para depois do feriado".

"O governo não tem outra alternativa senão investir mais na educação". Alternativa tem em si a ideia de "outro modo". "outra alternativa", portanto é uma redundância. Em um caso bem específico, pode-se usar sem constituir repetição desnecessária. Quando já foram dadas as alternativas, pelo menos duas, e se quer citar mais alguma: "As alternativas mais evidentes para o governo são a educação e a profissionalização. Outra alternativa é o uso de uma maior força punitiva".

"O JOVEM, devido à influência da mídia, ELE está cada vez mais consumista". Esse é o caso do que se chama de sujeito pleonástico. Na fala mais cotidiana, é muito comum. É um recurso inconsciente de repetição do sujeito através do pronome 'ele', principalmente quando se distancia do primeiro sujeito. Na escrita, porém, não devemos usar: "O jovem, devido à influência da mídia, está cada vez mais consumista".

Erro cíclico de redundância ¬¬
Outros casos comuns: premeditar (ou planejar) previamente; amanhecer o dia; melhora positiva; doido da cabeça.

Além disso, há casos de enumerações nas quais se usam sinônimos que tornam a ideia redundante: os políticos, em sua maioria, são corruptos, criminosos, ladrões. Entre ladrão e corrupto, dá para se estabelecer alguma diferença. Porém tanto um ladrão quanto um corrupto pode ser considerado criminoso. Portanto o uso da palavra 'criminoso' caracteriza uma ideia redundante. A propósito, a ideia, ou a forma como ela está sendo passada, é radical. Um eufemismo aqui cairia bem, mas isso fica para outra postagem.

Cuidado, então, com a redundância em seu texto dissertativo, bem como em outros textos formais, para não se auto-prejudicar-se a si mesmo.

Abraços.

Prof. Diogo Xavier